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Invalidez

Todos nós temos uma ou outra deficiência. Algumas são visíveis, outras apenas o Senhor conhece; podem ser resultantes de responsabilidades familiares, outras são fardos mentais ou emocionais. Ninguém é perfeito e ninguém está livre de fardos. A questão não é se tenho alguma deficiência, mas o que ela está me causando?

O gozo da salvacao - G. Cutting (Final)

A Palavra de Deus nos ensina que, enquanto que o crente é salvo da ira futura pela obra de Cristo, e que tem a certeza da salvação pela Palavra de Deus, conserva a consolação e alegria pelo poder do Espírito Santo que habita nele (1 Co 6:19).

O conhecimento da salvacao - G. Cutting (Parte 3)

Antes, porém, de procurarmos o versículo que você deve ler com cuidadosamente, o qual nos ensina como um crente pode saber que tem a vida eterna, permita-me citá-lo de maneira errada, ou seja, da maneira que muitos parecem entendê-lo: "Estes alegres sentimentos vos dou a fim de saberdes que tendes a vida eterna, a vós outros que credes em o nome do Filho de Deus".

O caminho da Salvacao - G. Cutting (Parte 2)

A primeira parte da Bíblia Sagrada, o Antigo Testamento, está repleto de figuras ou símbolos de coisas espirituais, como diz o apóstolo Paulo: "Tudo o que dantes foi escrito para nosso ensino foi escrito" (Rm 15:4). Vejamos, pois, qual o sentido espiritual de uma dessas figuras contidas no Antigo Testamento, no livro de Êxodo, onde se lêem estas palavras em relação à lei dada por Deus, por intermédio de Moisés, ao seu povo na antiguidade:

Segurança, Certeza e Gozo da Salvacao Eterna - G. Cutting (Parte 1)

Quando estamos numa estação ferroviária ouvimos, com certa freqüência, a seguinte pergunta: "Em que classe você está viajando?" Você, leitor, com toda a certeza está de viagem - de viagem para a eternidade - e pode ser que neste momento esteja muito próximo da estação final: a Morte. Permita-me, então, que lhe pergunte: "Nesta jornada pela vida, em que classe você está viajando?"

O chamado de Deus - J. G. Bellett

Nos dias que antecedem o dilúvio, os que pertencem à família de Deus trilham um caminho de peregrinos. Eles deixam o mundo para Caim. Não há neles nenhum sentimento de disputa e nem tampouco o menor indício de queixa. Eles não dizem, e nem pensam em dizer, "Mestre, dize a meu irmão que reparta comigo a herança" (Lc 12:13). Em seus hábitos e princípios de conduta, eles são tão distintos de seu irmão infrator (Caim) que parecem pertencer a uma outra raça; é como se vivessem em outro mundo.

Idades na Biblia

A vida humana foi encurtada pela metade por diversas vezes. O homem que viveu por mais tempo após o dilúvio foi Héber, que viveu 464 anos, um pouco mais do que a metade da idade de Metusala (Matusalém), 969 anos, que foi quem viveu mais tempo, dentre os homens que viveram antes ou depois do dilúvio.

Tudo ou nada - C. H. Mackintosh

As duas pequenas moedas dadas pela viúva (Mc 12:42) ultrapassaram, na avaliação de Deus, a soma de todas as ofertas. É relativamente fácil dar dezenas, centenas e milhares de nossos tesouros acumulados; mas não é fácil privar a si mesmo de um simples conforto ou de algo supérfluo, isto para não falar de algo que seja verdadeiramente necessário. Mas ela deu todo o seu sustento para a casa do seu Deus. Foi isso que a colocou numa afinidade moral de espírito com o próprio Senhor bendito.

A causa da morte - J. Kilcup

As Escrituras apresentam três razões para a morte física de um cristão: Porque sua obra aqui terminou, para que Deus seja glorificado e por estar sob a disciplina de Deus.

Quando eu for velho

Senhor, Tu sabes, melhor do que eu, que os anos estão se passando, e logo serei um velho. Quando isto acontecer, guarda-me de tornar-me um tagarela, e guarda-me principalmente do terrível hábito de pensar que devo sempre dar a minha opinião a respeito de todo assunto e em qualquer ocasião.

Depois da morte - F. G. Patterson

O que dizem as Escrituras quanto ao estado da alma do crente após a morte, e antes da vinda do Senhor? Porventura aqueles que "dormem" em Jesus podem vê-Lo agora, ou não poderão fazê-lo até que o corpo e a alma sejam reunidos?

Sepultar ou cremar os mortos? - C. Buchanan

O costume entre os Israelitas era de sepultar os mortos, havendo até mesmo instruções na lei quanto ao sepultamento de um criminoso (Dt 21:23). A importância do sepultamento é acentuada em Eclesiastes 6:3: "Se o homem gerar cem filhos, e viver muitos anos, e os dias dos seus anos forem muitos e se a sua alma se não fartar do bem, e além disso não tiver um enterro, digo que um aborto é melhor do que ele".

A Humanidade Sem Pecado de Nosso Senhor Jesus Cristo - G. H. Hayhoe

Antes de começarmos a falar em detalhes acerca deste assunto tão importante que é a humanidade sem pecado do Senhor, é importante que chamemos a atenção para a glória de Sua bendita Pessoa. "Porque nEle habita corporalmente toda a plenitude da divindade." "Para que em tudo tenha a preeminência" (Cl 2:9; 1:18). Ele é o Verbo eterno (Jo 1:1). Ele é o Filho unigênito que está no seio do Pai (Jo 1:18). Ele é Aquele por meio de Quem todas as coisas foram criadas e é Quem sustenta todas as coisas pela Palavra do Seu poder (Hb 1:2-3). Ele foi o deleite do Pai desde a eternidade (Pv 8:30), e todos os anjos são convocados a adorá-Lo como Homem (Hb 1:6). Os sábios do oriente também se prostraram e O adoraram como Criança (Mt 2:11).

Os Dez Mandamentos - C. H. Brown - Parte 7

O Décimo Mandamento Mosaico


"Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem cousa alguma do teu próximo" (Êx 20:17).

Os Dez Mandamentos - C. H. Brown - Parte 6

O Oitavo Mandamento Mosaico

"Não furtarás" (Êx 20:15). Vamos ler agora Efésios 4:28: "Aquele que furtava, não furte mais; antes trabalhe, fazendo com as mãos o que é bom, para que tenha que repartir com o que tiver necessidade". O roubar se condena tanto na dispensação cristã como na judaica.

Os Dez Mandamentos - C. H. Brown - Parte 5

O Quinto Mandamento Mosaico

"Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá" (Êx 20:12). Comparando este mandamento com Efésios 6:2-3, vemos que ele é citado palavra por palavra. No cristianismo não se espera menos dos filhos do que era exigido pela lei. Quão bendito é vermos os filhos de pais cristãos procurando colocar em prática este pedido da Palavra de Deus, conforme é dado aqui na epístola aos Efésios. Eles jamais terão ocasião de se lamentar por terem procurado dar a seus pais esta posição de respeito. Deus não lhes será devedor pois colherão a Sua benção em suas próprias vidas.

Os Dez Mandamentos - C. H. Brown - Parte 4

O Quarto Mandamento Mosaico

"Lembra-te do dia do sábado, para o santificar" (Êx 20:8). Tenho que confessar que não pude encontrar coisa alguma que pudesse ser o correspondente a este mandamento no cristianismo. Não existe. Lembremo-nos de que a palavra "shabbat", que significa "repouso", é usada pela primeira vez em Êxodo 16:23, com relação ao recolhimento do maná pelos filhos de Israel. Não era para ser recolhido no sábado, o sétimo dia. Este dia foi designado como um dia de descanso.

Os Dez Mandamentos - C. H. Brown - Parte 3

O Terceiro Mandamento Mosaico

Voltemos a ler Êxodo, capítulo 20, e desta vez o versículo 7: "Não tomarás o Nome do Senhor teu Deus em vão: porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o Seu nome em vão". Vamos ler Tiago 5:12: "Mas, sobretudo, meus irmãos, não jureis, nem pelo céu, nem pela Terra nem façais qualquer outro juramento; mas que a vossa palavra seja sim, sim, e não, não; para que não caiais em condenação".

Os Dez Mandamentos - C. H. Brown - Parte 2

O Segundo Mandamento Mosaico

Voltando agora a Êxodo 20, lemos o segundo mandamento: "Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na Terra, nem nas águas debaixo da Terra. Não te encurvarás a elas nem as servirás: porque Eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a maldade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que Me aborrecem. E faço misericórdia em milhares aos que Me amam e guardam os Meus mandamentos" (Êx 20:4-6). "Não farás para ti imagem". Vamos agora ler 1 Coríntios 10:14: "portanto, meus amados, fugi da idolatria". Também o versículo 7: "Não vos façais pois idólatras, como alguns deles, conforme está escrito: O povo assentou-se a comer e a beber, e levantou-se para folgar".

Os Dez Mandamentos - C. H. Brown - Parte 1

Tenho o propósito de considerar aqui o assunto dos dez mandamentos e sua aplicação moral para o cristão. Mas antes vamos ler algumas passagens das Escrituras:

Uma palavra sobre noivado - Gordon H. Hayhoe - Final

Finalmente o tempo de espera terminou e o casamento realizou-se. Oh! amados jovens, que o Senhor os guarde em Seu temor durante o tempo do noivado.

Uma palavra sobre noivado - Gordon H. Hayhoe - Parte 5

Depois de haver dito tudo, o servo pediu por uma decisão definida e aprovação dos pais. É lindo notar aqui, como eles foram impressionados com a franqueza do jovem e reconheceram que "aquilo procedia do Senhor".

Uma palavra sobre noivado - Gordon H. Hayhoe - Parte 4

O coração do servo foi tocado e convencido e ela reconheceu que tudo estava sendo dirigido pelo Senhor. Ele então perguntou a Rebeca: "De quem és filha?" Isto para mim é certificar-se de uma coisa importante.

Uma palavra sobre noivado - Gordon H. Hayhoe - Parte 3

Existe também outra lição relacionada com a pergunta do servo de Abraão, sobre o que deveria fazer caso a mulher não estivesse disposta a voltar com ele à terra de Canaã. Se assim fosse, ele não deveria levar Isaque até o lugar onde ela morava.

Uma palavra sobre noivado - Gordon H. Hayhoe - Parte 2

Sabemos que entre a maioria dos jovens, e especialmente nos dias de hoje, existe um desejo de se ter um namorado ou namorada. Frequentemente, sem nos darmos conta disso, somos afetados pela forma de pensar de nossa geração, e estamos sujeitos a sermos arrastados sem o percebermos.

Uma palavra sobre noivado - Gordon H. Hayhoe - Parte 1

"...e foi-lhe ela por mulher e amou-a" (Gênesis 24:67). Tal é o grande clímax para esta maravilhosa história de amor encontrada na Palavra de Deus, a qual nós gostaríamos de considerar em conexão com sua aplicação prática para esta importante decisão na vida dos jovens cristãos.

A cruz e a gloria - E. H. Chater

No Novo Testamento Deus nos revelou duas verdades maravilhosas - a cruz e a glória de nosso Senhor Jesus Cristo. Que assunto solene e bendito para ocupar nosso coração - a morte do Filho de Deus sobre a cruz do Calvário neste mundo, e Sua glorificação à mão direita da Majestade nas alturas. Quão pouco nossas almas penetram nestas coisas tão preciosas, embora a glória de Deus e o destino eterno de toda a raça de Adão dependam delas. Sem a morte de Cristo não teria havido salvação; sem a ressurreição, a Sua morte teria sido em vão.

Deu tudo

Charles T. Studd, famoso no século passado como um dos maiores jogadores de cricket da Inglaterra, aceitou a Jesus Cristo como seu Salvador pessoal quando estudava no Trinity College em Cambridge, Inglaterra.

Nosso gozo esta no ceu - J. N. Darby

Vamos examinar esta passagem das Escrituras (Lc 9:28-36), naquilo em que ela mostra de que se consistirá nosso gozo na glória. Temos a garantia de 2 Pedro 1:16 que diz que esta cena representa para nós a virtude e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.

Por que nos reunimos somente ao nome de Jesus? - Parte 4 - Charles Stanley

QUAL É A VONTADE DE DEUS PARA OS CRENTES SOBRE A TERRA? - Ainda que sejamos um com Cristo nos céus, estamos, todavia, por um curto espaço de tempo ausentes. Não quero expressar opiniões, porém, qual é a mente do Senhor? Pergunta solene! Queira Ele dar-nos graça para fazermos a Sua preciosa vontade.

Por que nos reunimos somente ao nome de Jesus? - Parte 3 - Charles Stanley

A UNIDADE DA IGREJA - Ou, mais corretamente, a unidade do um só corpo. Não estou inteirado de que exista alguma passagem nas Escrituras que mencione a expressão "uma só igreja", mas há "um só corpo" (Ef 4:4). A palavra traduzida por "igreja" significa simplesmente "assembléia". A mesma palavra grega é usada no original, em Atos 19:32,39,41, também para descrever uma multidão de pagãos*.  A Igreja de Deus é a assembléia de Deus**.

Por que nos reunimos somente ao nome de Jesus? - Parte 2 - Charles Stanley

A SOBERANIA DO ESPÍRITO DE DEUS - Esta é a segunda razão pela qual nos reunimos somente ao nome do Senhor Jesus. Antes de Jesus partir deste mundo, quando Se encontrava no meio dos Seus discípulos, Ele disse: "Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre; o Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não O vê nem O conhece: mas vós O conheceis, porque habita convosco, e estará em vós" (Jo 14:16-17).

Por que nos reunimos somente ao nome de Jesus? - Parte 1 - Charles Stanley

Esta é uma pergunta feita com freqüência àqueles que se reúnem ao nome do Senhor Jesus. Muitos têm expressado o desejo de que fosse escrito um tratado claro sobre tão importante assunto e, por conseguinte, apresento afetuosamente as considerações abaixo a todos os amados filhos de Deus. A primeira razão de nos reunirmos somente ao Seu nome é: O VALOR DE CRISTO.

Um magnifico palacio

A Bíblia é como um palácio magnífico construído de pedras preciosas, contendo sessenta e seis câmaras. Cada uma delas é diferente das outras, e é perfeita em sua beleza individual. Juntas, elas formam um edifício de incomparável majestade; glorioso e sublime.

Viver para Cristo - C. H. Brown

"Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o Meu jugo, e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas." Mt 11:28-29

Jesus precisou aprender a obedecer? - F. G. Patterson

Em que sentido Cristo "aprendeu a obediência, por aquilo que padeceu"? (Hb 5:8) Tratava-se de algo inteiramente novo, para o glorioso Filho de Deus, aprender obediência.

Prosperidade neste mundo - H. H. Snel

Cremos que um dos maiores obstáculos para as almas é serem tão cativadas pelo desejo de prosperar neste mundo. A consequência disso é que o Senhor não tem o Seu lugar de direito em seus corações, e, não importa quantas desculpas possam dar, a questão na verdade é: "Estou eu buscando lucro neste mundo ou o gozo da presença do Senhor? Será que o maior desejo de meu coração é ter comunhão com Ele?"

E teve compaixao deles - C. Wolston

"E teve compaixão deles" Marcos 6:34. Em um mundo de miséria e necessidade, quão bom é conhecermos Alguém cujo coração sofreu isso tudo, tomando sobre Si as nossas dores, e cujas emoções de profundo amor são tão expressivas que podemos vê-las e conhecê-las nestas palavras: "E teve compaixão deles".

A igreja e a tribulacao - C. H. Mackintosh

Talvez não exista uma doutrina errônea que tenha sido mais prejudicial às almas dos filhos de Deus do que aquela professada pelos que supõem que a igreja de Deus passará pela "grande tribulação". Tal declaração subverte a revelação de Deus acerca da Igreja como corpo e noiva de Cristo, reduzindo o povo celestial ao nível de associações judaicas, e os priva de uma atitude de expectativa e anseio pela vinda de Cristo a qualquer momento.

Soberania e responsabilidade - F. B. Hole

Que Deus é soberano e que o homem, embora caído, é uma criatura responsável, são dois fatos que estão bem claros nas Escrituras. É quando estudamos estes dois fatos em suas implicações que nos vemos diante de uma dificuldade intelectual. É fácil colocarmos todo o peso de um lado, enquanto ignoramos quase completamente o outro. Os dois extremos são conhecidos como Hiper-Calvinismo e Arminianismo.

Como educar a crianca? 15 - J. C. Ryle

Eduque-os com contínua oração por bênção em tudo o que você está fazendo. Olhe para seus filhos como fazia Jacó para com os dele; ele diz a Esaú, "os filhos que Deus graciosamente tem dado a teu servo" (Gn 33:5). Olhe para eles como José olhou para os seus, quando disse a seu pai, "Eles são meus filhos, que Deus me tem dado aqui" (Gn 48:9). Considere-os, com o salmista, como "herança do Senhor" (Sl 127:3). 

Como educar a crianca? 14 - J. C. Ryle

Eduque-os, lembrando continuamente o poder do pecado. Isto o guardará de acalentar esperanças que não são bíblicas. É triste constatar quanta corrupção e quanto mal existe no coração de uma pequena criança, e quão cedo isso começa a dar fruto.

Como educar a crianca? 13 - J. C. Ryle

Eduque-os, lembrando-se continuamente da influência do seu próprio exemplo. Não há substituto para a piedade - o real temor de Deus na vida dos pais. Instruções, avisos e ordens terão pouco valor se não tiverem respaldo no modelo apresentado por sua própria vida. Seus filhos nunca crerão que você esteja falando sério, e que deseja que realmente lhe obedeçam, se suas atitudes estiverem contradizendo seus conselhos. Nós pouco conhecemos a força e o poder de um exemplo.

Como educar a crianca? 12 - J. C. Ryle

Eduque-os, lembrando continuamente de como Deus educa a Seus próprios filhos. Se quiser educar seus filhos sabiamente, preste atenção na maneira como Deus Pai educa os que Lhe pertencem. Ele faz tudo bem feito; o método que Ele adota deve, portanto, ser o correto. Os filhos de Deus, depois de uma longa jornada, poderão dizer a você que foi algo bendito não terem seguido seus próprios caminhos e que o que Deus fez para eles foi muito melhor do que aquilo que poderiam ter feito por si mesmos. Sim, e poderão lhe dizer também que o modo de Deus tratá-los lhes trouxe mais alegria do que eles jamais teriam conseguido por si próprios.

Rogo a você que conserve no coração a lição que lhe ensina o modo como Deus trata Seus próprios filhos. Não tema privar seu filho de tudo aquilo que você considerar poder causar-lhe algum dano, não importa quais sejam os desejos dele. É este o método de Deus. Ser perpetuamente indulgente é a maneira de se criar um egoísta; e pessoas egoístas e crianças arruinadas dificilmente são felizes. Querido leitor, não seja mais sábio do que Deus; eduque seus filhos como Ele educa os que Lhe pertencem. - J. C. Ryle (continua...)

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Como educar a crianca? 11 - J. C. Ryle

Eduque-as com constante aversão à autopiedade. Sei muito bem que a punição e a correção são coisas desagradáveis. Nada é mais desagradável do que causar dor naqueles que amamos, produzindo neles muitas lágrimas. Mas já que o coração é o que é, de um modo geral será inútil pensar que as crianças possam ser criadas sem que haja correção. A palavra "arruinar" é muito expressiva e, infelizmente, cheia de significado. E a maneira mais rápida de se arruinar as crianças é deixar que sigam o seu próprio caminho - permitir que façam o que é errado, e não puni-las por isso. Creia-me, você nunca deve agir assim, não importa quanta dor possa lhe custar, a não ser que deseje arruinar a alma de seus filhos.

"O que retém a sua vara aborrece a seu filho, mas o que o ama a seu tempo o castiga" (Pv 13:24). "Castiga a teu filho enquanto há esperança, mas para o matar não alçarás a tua alma" (Pv 19:18). "A estultícia está ligada ao coração do menino, mas a vara da correção a afugentará dele" (Pv 22:15). "Não retires a disciplina da criança, porque, fustigando-a com a vara, nem por isso morrerá. Tu a fustigarás com a vara e livrarás a sua alma do inferno" (Pv 23:13-14). "A vara e a repreensão dão sabedoria, mas o rapaz entregue a si mesmo envergonha a sua mãe. Castiga a teu filho, e te fará descansar; e dará delícias à tua alma" (Pv 29:15,17).

Quão fortes e enérgicas são estas passagens! Como é triste que em muitas famílias cristãs elas até pareçam ser desconhecidas! Seus filhos precisam de repreensão, mas esta quase nunca é dada; eles precisam de correção, mas quase nunca é empregada. O livro de Provérbios ainda não está obsoleto e inadequado para os cristãos; foi dado por inspiração de Deus e é útil. Com toda a certeza, o crente que cria seus filhos sem prestar atenção aos seus conselhos está se fazendo a si mesmo mais sábio do que aquilo que está escrito, e fazendo assim erra tremendamente.

Afirmo claramente que os pais que não punem seus filhos quando cometem uma falta estão lhes infligindo um dano muito mais cruel. Quero alertá-los de que esse modo de agir é um recife no qual os santos de Deus, de todas as épocas, com muita freqüência naufragaram. Gostaria de persuadi-los a serem sábios no tempo presente, e passarem ao largo de tal perigo.

Veja o caso de Eli. Seus filhos Hofni e Finéias tornaram-se vis, e ele não os repreendeu. Ele não lhes deu muito mais do que uma mansa e leve repreensão, quando devia tê-los repreendido asperamente. Em suma, ele deu mais honra aos seus filhos do que a Deus. E no que terminou isso? Ele viveu apenas o suficiente para ouvir da morte de ambos os seus filhos no campo de batalha e suas cãs foram baixadas com tristeza à sepultura. (1 Sm 2:12-34; 3:10-18).

Veja, também, o caso de Davi. Quem poderá ler, sem um sentimento de dor, a história de seus filhos e seus pecados? O incesto de Amnon, o assassinato e rebelião praticados por Absalão, a ardilosa ambição de Adonias (2 Sm 13 a 18; 1 Rs 1). No que diz respeito a Adonias, em 1 Reis 1:6 lemos que "nunca seu pai o tinha contrariado, dizendo: Por que fizeste assim?". Foi esse o alicerce de todo o dano. Davi era um pai indulgente ao extremo - um pai que deixa que seus filhos tenham sua própria maneira de ser; e ele colheu de acordo com o que semeou.

Rogo aos pais, pelo bem de seus próprios filhos, que tenham o cuidado de não ser indulgentes em extremo. Rogo que se lembrem de que a obrigação principal dos pais é considerar as necessidades reais de seus filhos e não seus gostos e manias; é educá-los, e não satisfazê-los; dar a eles o que é de proveito, não meramente agradá-los.

Você não deve estimular cada desejo e capricho da mente de seu filho, não importa o quanto você o ame; você não deve fazê-lo pensar que a vontade dele está acima de tudo e que basta ele querer algo, e será feito. Eu lhe rogo, não faça de seus filhos ídolos, para que Deus não os leve e quebre seus ídolos para convencê-lo de sua insensatez.

Aprenda a dizer "não" aos seus filhos. Mostre-lhes que você estará pronto a recusar qualquer coisa que achar imprópria para eles. Fique firme quando tiver que decidir acerca de diversões e atividades extra-escolares, a menos que deseje que seus filhos sejam carregados na correnteza das seduções de Satanás.

Mostre a eles que você está pronto para punir toda desobediência, e que quando você fala de punição, não está pronto apenas para ameaçar mas também para executá-la. "Deixando as ameaças" (Ef 6:9). É melhor que haja menos punições, porém sérias e eficientes, do que punições leves e freqüentes, porém nunca permita que a desobediência fique impune. Quando a disciplina de seus filhos se fizer necessária, é imperativo que os pais estejam de comum acordo em cooperação de amor.

Cuidado ao permitir que pequenas faltas passem despercebidas, sob o pretexto de que "é pequena". Não há coisas pequenas na educação das crianças; todas são importantes. As pequenas ervas daninhas devem ser arrancadas tanto quanto as outras. Deixe-as e em breve estarão grandes. Querido leitor, se você não tiver trabalho com seus filhos enquanto são pequenos, eles lhe darão trabalho quando forem grandes. - J. C. Ryle (continua...)

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Como educar a crianca? 10 - J. C. Ryle

Eduque-os no hábito de sempre aproveitarem o tempo. A ociosidade é a melhor amiga do diabo. É, com certeza, a maneira mais eficaz de dar a ele uma oportunidade de causar algum dano. Uma mente desocupada é como uma porta aberta, e se Satanás não entrar nela pessoalmente, é certo que lançará dentro dela alguma coisa para gerar maus pensamentos. Devemos ter nossas mãos cheias e nossas mentes ocupadas com alguma coisa, do contrário nossa imaginação cedo fermentará e acalentará o mal. "Eis que esta foi a maldade de Sodoma, tua irmã; soberba, fartura de pão, e abundância de ociosidade teve ela" (Ez 16:49).

Eu verdadeiramente creio que a ociosidade leva ao pecado, mais do que talvez qualquer outro hábito que se possa mencionar. Gosto de ver as crianças ativas e laboriosas, e se entregando de coração a tudo o que empreendem fazer. - J. C. Ryle - (continua...)

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Como educar a crianca? 9 - J. C. Ryle

Eduque-os para que falem sempre a verdade, toda a verdade e nada além da verdade. Deus é apresentado como um Deus de verdade. Menos do que a verdade é uma mentira; aquela fuga, aquela desculpa, ou aquele exagero são meio-caminho para a falsidade, e devem ser evitados. Encoraje-os a serem francos em toda e qualquer circunstância, e a falarem a verdade custe o que custar.

Eu insisto nisto para que também possamos ficar mais tranquilos e sermos auxiliados em tudo o que tivermos que tratar com eles. Descobriremos ser isto uma poderosa ajuda pois poderemos sempre confiar no que disserem. Isto tem um efeito ainda mais amplo, pois ajuda a prevenir aquele hábito que infelizmente prevalece entre as crianças, de fazer as coisas às escondidas. - J. C. Ryle (continua...)

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Como educar a crianca? 8 - J. C. Ryle

Eduque-os no hábito de uma pronta obediência. Isso compensa o trabalho que dá. Creio que nenhum hábito tem maior influência em nossa vida do que este. Esteja determinado a fazer com que seus filhos lhe obedeça, mesmo que isso possa custar a você mais trabalho, e a eles mais lágrimas. Que não haja questionamento, argumentação ou disputa, e que eles não procedam de modo a ganhar tempo.

Quando você der uma ordem, faça com que vejam claramente que sua vontade tem que ser cumprida. A característica de uma criança bem educada é fazer tudo o que seus pais ordenam. Pois onde estará a honra de que fala Efésios 6.1-3, se os pais não são obedecidos alegremente, prontamente e de boa vontade? (leia também Cl 3:20).

A obediência que começa cedo conta com todas as Escrituras a seu favor. No elogio que é feito a Abraão não diz apenas que ele iria educar seus filhos, mas "ordenar a seus filhos e a sua casa depois dele" (Gn 18:19. Acerca do Senhor Jesus foi dito que, quando jovem, era sujeito a Maria e a José (Lc 2:51). Repare que o apóstolo Paulo menciona a desobediência aos pais como um dos maus sinais dos últimos dias (2 Tm 3:2).

Você deseja ver seus filhos felizes? Cuide de educá-los para que obedeçam quando recebem uma ordem. Creia-me, não somos feitos para uma completa independência; não servimos para isso. Mesmo os libertos de Cristo têm um jugo para levar - servem a Cristo, o Senhor (Cl 3:24). Nunca é cedo para as crianças aprenderem que este é um mundo onde não podemos querer mandar, e que nunca estaremos em nosso devido lugar enquanto não aprendermos como obedecer. Ensine-os a obedecer enquanto são jovens, ou mais tarde estarão, pelo resto da vida, em guarda contra Deus, dominados pela vã idéia de serem independentes do Seu controle.

Você encontrará muitos em nossos dias que permitem que seus filhos escolham e pensem por si próprios muito antes de serem capazes de fazê-lo, e que até mesmo dão desculpas para a sua desobediência, como se fosse algo que não merecesse uma repreensão. Para mim, uma das cenas mais tristes de se presenciar é ver um pai ou uma mãe cedendo sempre, e uma criança tendo sempre a última palavra; triste, pois trata-se de uma inversão e perversão da ordem estabelecida por Deus; triste, pois sei que no final, com toda certeza, o caráter daquela criança acabará em vaidade e vontade própria. - J. C. Ryle (Continua...)

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Como educar a crianca? 7 - J. C. Ryle

Eduque-os para que lhe obedeçam, mesmo que muitas vezes não saibam o por quê. Devemos ensiná-los a aceitar tudo aquilo que exigimos deles como sendo para seu próprio bem. Tenho ouvido alguns dizerem que nunca deveríamos exigir das crianças coisas que elas não possam entender; que deveríamos explicar e dar uma razão para tudo o que desejamos que façam. Eu o alerto solenemente contra tal conceito. E vou mais além: creio que se trata de um princípio mau e sem base nas Escrituras.

É, sem dúvida alguma, um absurdo fazer mistério de tudo o que fazemos, e há muitas coisas que é melhor que expliquemos às crianças, a fim de verem que são coisas sábias e razoáveis. Porém, criá-las com a idéia de que não devem receber nada sem antes se certificarem - que elas, com sua compreensão fraca e imperfeita, devem ter antes os "por quê?" e os "qual o motivo?" claramente explicados para cada passo que devem dar - trata-se, isto sim, de um temível engano que provavelmente trará um péssimo efeito à mente das crianças.

Coloque diante de seus filhos o exemplo de Isaque quando Abraão levou-o para oferecer sobre o Monte Moriá (Gn 22). Ele perguntou a seu pai simplesmente: "Onde está o cordeiro para o holocausto?" E não recebeu outra resposta além desta: "Deus proverá para Si o cordeiro para o holocausto, meu filho". Como, quando, de onde, de que maneira, ou por que meios - nada disso foi dito a Isaque; mas a resposta foi suficiente. Ele creu que tudo estaria bem pois seu pai lhe dissera, e ficou satisfeito com isso. - J. C. Ryle - (continua...)

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Como educar a crianca? 6 - J. C. Ryle

Eduque-os a se reunirem com o povo de Deus numa maneira bíblica. Diga a eles que onde o povo do Senhor estiver reunido ao Seu nome, ali o Senhor Jesus está presente de uma maneira especial, e que aqueles que se ausentam, como o apóstolo Tomé, devem saber que estão perdendo uma bênção. "Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns" (Hb 10:25).

Não permita que cresçam com o hábito de decidir se querem ou não ir às reuniões. Tampouco gosto de ver aquilo que chamo de "cantinho dos jovens" em uma assembléia. Ali eles com freqüência adquirem o hábito de ficar desatentos e irreverentes, o qual leva anos para perder, se é que conseguem perdê-lo. Gosto de ver todos os membros de uma família sentados juntos. "Havemos de ir com os nossos meninos, e com os nossos velhos; com os nossos filhos, e com as nossas filhas... porque festa do Senhor temos" (Êx 10:9). Também não deveríamos desperdiçar levianamente o Dia do Senhor transformando-o em um dia de recreação e proveito próprio. - J. C. Ryle (continua...)

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Como educar a crianca? 5 - J. C. Ryle

Eduque-os no hábito da oração. Se você ama seus filhos, faça tudo o que estiver ao seu alcance para educá-los no hábito da oração. Mostre a eles como devem começar. Diga a eles o que devem falar. Encoraje-os a perseverarem. Faça com que se lembrem, caso se tornem descuidados e negligentes neste assunto. Assim como os primeiros passos em qualquer atividade são os mais importantes, o mesmo acontece com a maneira como as orações de nossos filhos são feitas, um assunto que merece nossa maior atenção. São poucos os que parecem compreender o quanto depende disto. Devemos estar atentos para que não passem a fazer suas orações de uma maneira precipitada, descuidada e irreverente. Querido leitor, se você ama seus filhos, eu lhe rogo que não deixe passar a época do plantio da semente do hábito de orar. - J. C. Ryle (continua...)

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Como educar a crianca? 4 - J. C. Ryle

Eduque seu filho no conhecimento da Bíblia. Não podemos fazer nossos filhos amarem a Bíblia, eu sei disso. Ninguém além do Espírito Santo pode dar a eles um coração que se deleite com a Palavra. Mas podemos fazer com que nossos filhos fiquem familiarizados com a Bíblia; e pode ter certeza de que nunca será cedo demais para fazê-lo, e eles nunca estarão familiarizados demais para você dar a tarefa por encerrada. Deixe que a Bíblia, simplesmente, seja tudo na educação de suas almas; e que todos os outros livros fiquem em segundo lugar.

Faça com que seus filhos leiam a Bíblia reverentemente; em verdade ela é a Palavra de Deus. E faça com que a leiam regularmente.

Fale a eles do pecado, de sua culpa, das conseqüências, do seu poder, de sua vileza - você verá que são capazes de compreender algo a esse respeito. Fale a eles do Senhor Jesus Cristo, do Seu amor, da Sua obra para nossa salvação - Sua cruz, Seu sangue derramado, Sua ressurreição, ascensão e breve retorno. Em tudo você descobrirá algo que não estará além da compreensão deles. - J. C. Ryle (continua...)

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Como educar a crianca? 3 - J. C. Ryle

Eduque seus filhos diligentemente, lembrando-se da importância de uma educação correta. Os hábitos criados na tenra idade são, se podemos falar assim, os mais importantes para Deus. Somos o que somos pela educação que tivemos. Nosso caráter toma a forma do molde em que nossos primeiros anos foram colocados, sem esquecer, evidentemente, o que a graça de Deus pode fazer por aquele que se volta a Ele.

Deus dá aos nossos filhos uma disposição para confiarem em nossa palavra e não na de um estranho, e suas mentes receberão marcas e impressões como acontece com a argila úmida. Em poucas palavras, Deus nos dá uma oportunidade de ouro para lhes fazermos bem. Fique atento para não negligenciar essa oportunidade, desperdiçando-a.

Eu sei que você não pode converter seu filho. Sei muito bem que aqueles que são nascidos de novo são nascidos, não da vontade do homem, mas de Deus. Mas também estou ciente de que Deus diz expressamente, "criai-os na doutrina e admoestação do Senhor" (Ef 6:4), e Ele nunca deu ao homem uma ordem sem prover também a graça para que fosse capaz de cumpri-la. O caminho de obediência é o caminho de bênção. Temos tão somente que fazer como fizeram os servos na festa de casamento em Caná, ou seja, encher os vasos com água; e podemos seguramente deixar que o Senhor transforme a água em vinho.

Tenha sempre em mente que a alma de seu filho é o que deve estar em primeiro lugar.
Sem dúvida alguma esses pequeninos são preciosos aos nossos olhos, mas se os amamos iremos nos preocupar constantemente com suas almas. Nada poderá nos interessar mais do que seu bem estar eterno. Nenhuma parte deles deveria ser tão cara a nós do que aquela que nunca morrerá. O mundo, com toda a sua glória, passará, mas o espírito que habita naquelas criaturinhas que tanto amamos, sobreviverá a tudo, e se será para felicidade ou para miséria (falando como homem), isso dependerá de nós. Este é o pensamento que deveria estar sempre em primeiro lugar em nossa mente, em tudo aquilo que fazemos para nossos filhos: "Como isso afetará sua alma?"

Mimar e satisfazer todos os caprichos de nosso filho, como se este mundo fosse a única coisa importante para ele e esta vida a única ocasião disponível para ser feliz, não é amor verdadeiro, mas crueldade. Tampouco é fidelidade a Cristo.

Um cristão fiel não pode ser escravo da moda, se quiser educar seu filho para o Senhor. Ele não deve se contentar em fazer as coisas meramente por serem o costume do mundo, principalmente no que diz respeito ao mundo religioso com suas tradições populares, mas não autorizadas biblicamente, como é o caso do "Natal" e da "Páscoa" (Gl 4:10; Rm 12:2). Você tampouco os estará protegendo se permitir que leiam as vãs revistas em quadrinhos e livros de qualidade questionável, simplesmente porque todo mundo os lê. E o que mais pode introduzir tanto o mundo no lar além da televisão? Pais cristãos não devem se envergonhar se chamarem seu método de educar estranho e excêntrico. E se for, o que importa? O tempo é curto - a moda deste mundo passa logo. Aqueles que têm educado seus filhos para o céu ao invés de educá-los para a terra - para Deus ao invés de fazê-lo para os homens - são pais que no final serão chamados sábios. "Aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre" (1 Jo 2:17). - J. C. Ryle (continua...)

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Como educar a crianca? 2 - J. C. Ryle

Eduque seu filho com toda ternura, afeição e paciência. Não estou querendo dizer que você deva mimá-lo, mas sim fazê-lo ver que o ama. Bondade, gentileza, domínio-próprio, brandura, paciência, simpatia, desejo de participar dos problemas infantis, prontidão em participar das alegrias infantis - são as cordas pelas quais uma criança pode ser conduzida com a maior facilidade; são as pegadas que você deve seguir se deseja encontrar o caminho ao coração dela.

Austeridade e severidade nos modos as desanimam e fazem com que se afastem. Isso fecha seus corações, e você vai ficar aborrecido tentando procurar a porta. Mas deixe que vejam que você tem um sentimento afetivo para com elas; que você deseja realmente fazê-las felizes e fazer-lhes o bem; que se você as pune é buscando o bem delas.

As crianças são criaturas frágeis e sensíveis, e, como tais, precisam ser tratadas com paciência e consideração. Devemos manuseá-las delicadamente, como plantas delicadas, pois um tratamento áspero lhes fará mais mal do que bem.

Não devemos esperar que aprendam tudo de uma só vez. Devemos nos lembrar o que são e ensiná-las aquilo que puderem suportar. O entendimento delas é como um vaso com gargalo estreito; devemos introduzir nelas o vinho do conhecimento gradualmente, caso contrário a maior parte se derramará e se perderá. Linha após linha e preceito após preceito, um pouco aqui, um pouco acolá; esta deve ser a nossa regra. É verdade que para se educar uma criança há necessidade de paciência, mas sem esta nada poderá ser feito.

Não existe nada que possa compensar a ausência de amor e ternura. Você pode colocar os deveres de seus filhos diante deles, pode dar-lhes ordens, ameaçá-los, puni-los, discutir com eles; mas se faltar afeição no seu tratamento, todo o seu trabalho terá sido em vão. Amor é o grande segredo de uma educação bem sucedida. Ira e aspereza podem assustar, mas não convencerão uma criança de que você esteja certo. E se ela o vê fora de si com freqüência, bem cedo deixará de respeitá-lo. O medo põe fim a um relacionamento franco; o medo leva a criança a fazer as coisas às escondidas; o medo lança a semente da hipocrisia e leva muitas a mentirem. Há uma mina de verdade nas palavras do apóstolo aos colossenses: "Vós, pais, não irriteis a vossos filhos, para que não percam o ânimo" (Cl 3:21). - J. C. Ryle (continua...)

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Como educar a crianca? 1 - J. C. Ryle

"Criai-os na doutrina e admoestação do Senhor" (Ef 6:4). Quão pouca importância é dada a este versículo! Vivemos numa época em que há um grande zelo pela educação; novas escolas estão surgindo de todos os lados; novos sistemas e novos livros para educar o jovem em todos os aspectos. Essas coisas podem muito bem despertar um exercício em nossos corações.

Trata-se de um assunto que deveria encontrar morada em cada consciência pois dificilmente haverá um lar onde ele não se aplique. Neste assunto, mais do que em qualquer outro, somos propensos a enxergar com mais clareza as faltas dos outros do que vermos as nossas próprias. Devemos suspeitar de nosso juízo próprio. Às vezes eu fico perplexo com a demora de certos pais, cristãos bem sensatos, em admitirem que seus filhos cometeram alguma falta ou merecem uma repreensão.

Vamos colocar agora diante de nós algumas sugestões; palavras ditas a seu tempo (Pv 15:23). Não as rejeite pelo fato de serem apresentadas de forma simples e até mesmo um pouco rude.

Primeiro, se pretendemos educar nossos filhos com sabedoria, devemos educá-los de acordo com a Palavra de Deus.

Lembre-se: crianças nascem com uma evidente inclinação para o mal. Portanto, se deixarmos que elas escolham por si próprias, com certeza farão a escolha errada.
A mãe não pode prever como será o seu tenro bebê quando crescer; alto ou baixo, forte ou fraco, sábio ou tolo; ele poderá se tornar uma coisa ou outra - é tudo uma incerteza. Mas há algo que uma mãe pode dizer com certeza: ele possuirá um coração corrupto e pecaminoso. Faz parte da nossa natureza agirmos errado. Deus diz que "a estultícia está ligada ao coração do menino" (Pv 22:15). "A criança entregue a si mesma vem a envergonhar a sua mãe" (Pv 29:15 - Almeida Versão Atualizada).

Portanto, se desejamos agir sabiamente para com nosso filho, não devemos deixá-lo sob a direção da sua própria vontade. Devemos pensar por ele e julgar por ele, assim como teríamos que fazer por alguém cego e débil, mas jamais devemos abandoná-lo às suas próprias tendências e caprichos. Não são os seus gostos e desejos que devem ser consultados. Ele ainda não sabe o que é bom para a sua mente e para a sua alma, tanto quanto ele não sabe o que é bom para o seu corpo. Não deixe que ele decida o que deve comer, o que deve beber e como deve se vestir.

Quantas cenas vergonhosas à mesa poderiam ser evitadas se os pais buscassem sabedoria divina acerca do que é melhor para se colocar no prato de uma criança.
Se não concordamos com este primeiro princípio divino de se educar a criança, não trará nenhum proveito continuar a leitura deste livreto. A vontade própria é geralmente a primeira coisa que surge na mente de uma criança, e nosso primeiro passo deve ser o de resistirmos a ela. O melhor cavalo do mundo teve que ser domado. J. C. Ryle (continua...)

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Como educar a crianca? Prefacio - H. E. Hayhoe

Ao publicarmos "Como Educar A Criança?", sentimos que é importante lembrar, antes de mais nada, que coisa alguma pode ser feita apropriadamente se os pais ou responsáveis não forem verdadeiros filhos de Deus. Se este livreto caiu nas mãos de uma mãe ou de um pai incrédulo, nosso desejo é que você aceite o Senhor Jesus como Salvador.

Talvez você tenha um lar em ordem, segundo os padrões humanos, mas lembre-se do que Deus diz em Hebreus 11:6: "Sem fé é impossível agradar a Deus". Ao se preocupar com essas crianças tão queridas que Deus colocou sob seus cuidados, tendo elas uma alma imortal e preciosa, convém que você se certifique de estar, a si próprio, em ordem com Deus. Foi para pecadores perdidos e sem qualquer esperança, como nós, que o Senhor Jesus morreu. Somente Ele pode limpar os seus pecados, e Ele o fará se você for a Ele agora mesmo, apresentando-Lhe tão somente a sua culpa, e confiando no valor do precioso sangue de Cristo para o limpar de toda mancha perante um Deus santo (1 Jo 1:7). E então, havendo se tornado um dos filhos de Deus, você estará capacitado - e certamente será este também o seu desejo - a criar seus filhos para o Senhor e para Sua glória.

Antes de serem verdadeiramente salvos, os pais não podem apresentar aos seus filhos a motivação adequada. O pensamento do homem natural nunca pode ir mais alto do que a sua própria pessoa, e mesmo na educação de seus filhos o que os pais inconversos colocarão diante deles será o seu próprio eu. Eles ensinarão seus filhos a falar a verdade porque eles (os pais) não gostam de mentiras. Eles irão ensiná-los a ter boas maneiras a fim de tornarem seus filhos agradáveis e bem aceitos na sociedade. Eles lhes dirão que seus amigos não gostarão deles se fizerem certas coisas e, portanto, não devem fazê-las. Em suma, toda a educação terá um motivo centralizado no próprio eu; e, nesse caso, não poderia ser de outro modo.

Porém até mesmo um cristão, se não estiver vigilante, estará inclinado a copiar essas idéias mundanas. Uma motivação como essa apela para coração natural, nosso e de nossos filhos, mas não se trata de uma motivação vinda de Deus. Criar nossos filhos "na doutrina e admoestação do Senhor" (Ef 6:4) é algo totalmente contrário a isso. Deveríamos ensiná-los a dizer a verdade porque são responsáveis diante do Senhor, e Ele odeia a mentira. Deveríamos ensiná-los a ser afáveis porque o Senhor diz para serem afáveis (1 Pd 3:8), e eles devem procurar agradá-Lo. Deveríamos ensiná-los a buscar sempre fazer o que é correto, não para serem bem vistos pela sociedade (pois haverá ocasiões em que serão desprezados justamente por isso), mas tão somente para agradar ao Senhor. Isto é exatamente o oposto do ponto de vista humano, mas é o único caminho certo, se o que buscamos é educar nossos filhos em conformidade com Deus.

Sentimos que é nosso dever frisar bem aqui que nossa confiança em educar nossos filhos, bem como em tudo aquilo acerca do que devemos ter confiança, deve estar no Senhor, e não em nós mesmos ou em nossos métodos. "Não que sejamos capazes, por nós, de pensar alguma coisa, como de nós mesmos; mas a nossa capacidade vem de Deus" (2 Co 3:5). Não há um pai ou uma mãe que possa afirmar ter educado corretamente seus filhos em todos os detalhes. Deus nos faz cônscios de nossa fraqueza e de nosso fracasso, a fim de podermos nos voltar a Ele e reconhecer que devemos tudo à Sua graça. Que o Senhor possa dar graça a cada um de nós, e a todos os pais que lerem estas linhas, para que possamos buscar nEle a graça, sabedoria e força necessárias, que somente Ele pode suprir a cada dia, para sermos capazes de encaminhar nossa família a Ele nestes últimos dias. - H. E. Hayhoe
(continua...)

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Verdades resgatadas - H. Brinkmann

Dificilmente existiria uma maneira melhor de caracterizar um crente que ensina do que fazê-lo por meio daquilo que ele escreveu sobre assuntos relacionados às Escrituras. Os dois esboços a seguir acerca da verdade, compilados por Heinz Brinkmann em abril de 1998, ilustram isso.

Será que os reformadores entenderam os pontos a seguir e teriam estes pontos sido resgatados durante a Reforma?

Saiamos a Ele - C. H. Mackintosh

"Por isso também Jesus, para santificar o povo pelo Seu próprio sangue, padeceu fora da porta. Saiamos pois a Ele fora do arraial, levando o Seu vitupério" (Hebreus 13.12,13).

Há muito mais envolvido no tocante convite "saiamos a Ele", do que uma mera fuga dos absurdos da superstição ou dos esquemas de um lucrativo negócio religioso. Existem homens que conseguem explicar tudo, usando de poder e eloquência. São pessoas que se encontram muito longe de qualquer pensamento de atender ao chamado do apóstolo. Quando os homens estabelecem um "arraial", saem fazendo seus comícios que giram em torno de um padrão que contenha algum dogma importante da verdade, um credo ortodoxo, uma linha doutrinária mais clara, ou algum ritual esplêndido. É preciso ter muita inteligência espiritual para se discernir a verdadeira força que há nas palavras: "Saiamos", e muita energia espiritual e poder de decisão para agir.

Deve haver discernimento e ação, pois é perfeitamente evidente que a atmosfera de um arraial é perniciosa para a comunhão pessoal com um Cristo rejeitado. Nenhuma vantagem religiosa pode jamais substituir a perda dessa comunhão. Existe em nosso coração a tendência de nos deixarmos levar por um formalismo frio e estereotipado. Foi sempre assim na igreja professa. Talvez o formalismo tenha tido origem em um poder real; podem ter sido resultado de verdadeiras intervenções do Espírito de Deus. A tentação está em se manter um estereótipo quando o espírito e poder já não existem. Em princípio, isto é estabelecer um arraial.

O sistema judaico podia se gabar de ter tido origem divina. Um judeu podia triunfantemente apontar para o templo com todo o seu esplêndido sistema de adoração, seu sacerdócio, seus sacrifícios, seu mobiliário, e demonstrar que tudo aquilo havia sido dado diretamente pelo Deus de Israel. Ele podia citar o capítulo e versículo de tudo o que estava conectado com aquele sistema. Onde está o sistema, seja ele antigo, medieval ou moderno, que possa ter a mesma pretensão com igual peso de autoridade? E ainda assim, a ordem era: "Saiamos".

Este assunto tão profundamente solene diz respeito a todos nós. Estamos sempre prontos a abandonar a comunhão com um Cristo vivo e mergulhar em uma rotina morta. Daí o poder prático das palavras: "Saiamos pois a Ele". Não se trata de sair de um sistema para entrar em outro – de um conjunto de opiniões para outro – de um grupo de pessoas para outro. Não, mas sair de tudo aquilo que possa ser caracterizado como um arraial; sair a Ele que sofreu fora da porta. O Senhor Jesus está tão completamente fora da porta agora quanto estava quando sofreu lá há quase vinte séculos. O que foi que O levou para fora? O mundo religioso daquela época. O mundo religioso daquela época é, em espírito e princípios, o mesmo mundo religioso de hoje. O mundo continua sendo mundo. Cristo e mundo não têm nada em comum.

Em muitos de seus aspectos, o mundo cobriu-se com um manto de cristianismo, mas apenas o suficiente para se assegurar que seu ódio a Cristo possa, sob a superfície, se aprimorar para formas cada vez mais destrutivas. Não nos enganemos. Se andarmos com um Cristo rejeitado, acabaremos sendo também pessoas rejeitadas. Se nosso Senhor "padeceu fora da porta", não podemos esperar reinar do lado de dentro da porta. Se andarmos em Suas pegadas, para onde elas nos levarão? Certamente não será aos lugares elevados deste mundo ímpio e sem Cristo.

Seu caminho, que do mundo não granjeou sorrisos,
O levou à cruz, onde aguardavam terríveis castigos.

Ele é um Cristo desprezado - um Cristo rejeitado – um Cristo fora do arraial. Oh, querido cristão, saiamos a Ele levando Sua vergonha. Não busquemos o favor do mundo, já que ele crucificou e continua odiando nosso Amado, a Quem devemos tudo tanto agora como sempre. Ele é Aquele que nos ama com um amor que as muitas águas não poderiam apagar. Vivamos para Ele que morreu por nós. Enquanto nossas consciências repousam no Seu sangue, deixemos que as afeições de nosso coração se entrelacem com Sua Pessoa, de modo que nossa separação deste "presente século mau" não seja apenas uma fria questão de princípios, mas uma apaixonada separação pelo fato de Aquele, que é o Objeto de nossas afeições, não estar ali.

Que o Senhor possa nos livrar desse costume tão comum em nossos dias que é o de agirmos por interesse, atitude essa à qual não falta religiosidade, mas que é inimiga da cruz de Cristo. O que é necessário para permanecermos firmes contra essa terrível forma de mal não são opiniões peculiares, princípios especiais ou uma fria exatidão intelectual. Precisamos de uma profunda devoção à Pessoa do Filho de Deus; uma consagração de coração completa, corpo, alma e espírito, ao Seu serviço; um desejo sincero por Sua gloriosa vinda. Possamos, portanto, eu e você, nos unir em um só clamor que saia do fundo de nosso coração, a dizer: "Não tornarás a vivificar-nos, para que o Teu povo se alegre em Ti?" (Salmo 85.6).

C. H. Mackintosh, Christian Treasury, Ago. 94.

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Por causa dos anjos - Paul Wilson

"Mas quero que saibais que Cristo é a cabeça de todo o varão, e o varão a cabeça da mulher; e Deus a cabeça de Cristo. Todo o homem que ora ou profetiza, tendo a cabeça coberta, desonra a sua própria cabeça. Mas toda a mulher que ora ou profetiza com a cabeça descoberta, desonra a sua própria cabeça, porque é como se estivesse rapada. Portanto, se a mulher não se cobre com véu, tosquie-se também. Mas, se para a mulher é coisa indecente tosquiar-se ou rapar-se, que ponha o véu.

"O varão pois não deve cobrir a cabeça, porque é a imagem e glória de Deus, mas a mulher é a glória do varão. Porque o varão não provém da mulher, mas a mulher do varão. Porque também o varão não foi criado por causa da mulher, mas a mulher por causa do varão. Portanto, a mulher deve ter sobre a cabeça sinal de poderio, por causa dos anjos. Todavia, nem o varão é sem a mulher, nem a mulher sem o varão, no Senhor. Porque, como a mulher provém do varão, assim também o varão provém da mulher, mas tudo vem de Deus.

"Julgai entre vós mesmos: é decente que a mulher ore a Deus descoberta? Ou não vos ensina a mesma natureza que é desonra para o varão ter cabelo crescido? Mas ter a mulher cabelo crescido lhe é honroso, porque o cabelo lhe foi dado em lugar de véu. Mas, se alguém quiser ser contencioso, nós não temos tal costume, nem as igrejas de Deus." 1 Coríntios 11:3-16

Este trecho da Palavra de Deus, que é de grande importância prática, é freqüentemente mal compreendido. Se Deus fala de qualquer assunto, deve ser porque precisamos conhecê-lo. E havendo Deus falado, devemos estar prontos para considerar o que Ele tem dito. Além do mais, deve ser admitido que Deus é capaz de fazer com que seja claro e simples o que Ele quer dizer, a fim de não permanecer nenhuma dúvida. Se, porém, não entendemos, é bem provável que o problema seja conosco. Ou não temos lido cuidadosamente, ou estamos com alguma idéia pré-concebida, ou, o que é pior, não vemos porque somos obstinados e não queremos enxergar daquele modo.

UMA QUESTÃO DE ORDEM

No versículo 3 o Espírito de Deus diz, por intermédio do apóstolo, que "Cristo é a cabeça de todo o varão, e o varão a cabeça da mulher; e Deus a cabeça de Cristo". É esta, portanto, a ordem de poderio estabelecida por Deus. Deus tem um lugar para cada um, homem ou mulher, e certamente não é doloroso permanecer nesse lugar. O homem tem o seu lugar como representante de Deus na terra - "a imagem e glória de Deus" (v. 7). A mulher também tem um lugar distinto - não o lugar de proeminência, mas o lugar de sujeição em conformidade com a ordem estabelecida por Deus. Ela pode, no entanto, glorificar a Deus no lugar que lhe é próprio. O homem pode, e infelizmente ele o faz, falhar tristemente em ocupar o seu lugar, mas ainda assim é esse o seu lugar. Ele deveria procurar agir em seu lugar como estando diante de Deus, e ela deveria estar feliz por ocupar o seu próprio lugar. Cada um deveria julgar um privilégio ocupar o lugar designado por Deus.

Deus estabeleceu uma certa ordem por toda a Sua Criação. Os homens e mulheres cristãos não devem negligenciar essa ordem, porém devem lembrar-se de que são um espetáculo divinamente designado - sim, um espetáculo para os próprios anjos (v. 10). Os anjos estão conhecendo a sabedoria de Deus; estão sendo espectadores dos caminhos de Deus. O fato de eles estarem observando os caminhos de Deus aqui é também mencionado em 1 Coríntios 4:9 e Efésios 3:10.

INSTRUÇÕES PARA O HOMEM E PARA A MULHER

Há, então, uma regra muito simples a seguir, a qual demonstrará o lugar que o homem possui. Ele NÃO deve orar ou profetizar (comunicar o pensamento de Deus a outros) tendo uma cobertura sobre a sua cabeça. Ter sua cabeça coberta iria estragar a demonstração, diante de outros, do lugar designado por Deus para o homem. Seria um sinal do homem estar abandonando o lugar de autoridade, e resultaria na falta de uma cabeça visível.

A regra para a mulher é igualmente simples: ela NÃO deve orar ou profetizar sem ter uma cobertura sobre sua cabeça. Se ela ora sem uma cobertura sobre a cabeça, ela desonra sua cabeça. Seria uma desordem que estaria sendo testemunhada por anjos. A cobertura sobre sua cabeça é o sinal exterior de sua sujeição. O profetizar exercido por uma irmã é, obviamente, restrito por outras passagens. Ela não deve fazê-lo na assembléia (1 Co 14:34), nem tampouco ela deve ensinar ou usurpar a autoridade sobre o homem (1 Tm 2:12).

O fato de esta simples ordem acerca de cobrir a cabeça ser geralmente menosprezada na cristandade não é desculpa para nenhuma mulher deixar de obedecê-la. Alguns colocam esta passagem de lado por atribuir sua autoria a Paulo; porém foi o Espírito de Deus o divino Autor, e Paulo apenas a escreveu. Ele disse, acerca das coisas que escreveu, que "são mandamentos do Senhor" (1 Co 14:37). Se isto é verdade, então trata-se de algo muito sério resistir a esses mandamentos.

Escute a linguagem forte que é usada: "Portanto, se a mulher não se cobre com véu, tosquie-se também. Mas se para a mulher é coisa indecente tosquiar-se ou rapar-se, que ponha o véu" (vers. 6). Qual é a mulher que gostaria de ter sua cabeça rapada? Ela seria publicamente envergonhada e teria que se esconder. Bem, se é assim, diz a Palavra de Deus, que ela traga sobre sua cabeça uma cobertura quando estiver orando ou profetizando.

Não se trata de uma questão de superioridade e inferioridade, mas de posições relativas na Criação. Deus na Sua sabedoria determinou um lugar para cada um conforme pareceu bem a Ele, e bem-aventurados são aqueles que reconhecem tal e procuram, pela sabedoria e direção de Sua Palavra, se comportar como convém àquele lugar.

UM EXEMPLO DADO PELA PRÓPRIA NATUREZA

O apóstolo, pelo Espírito, volta até a Criação para declarar a ordem estabelecida de Deus desde o princípio. A ordem e o propósito da Criação são colocados diante de nós como a base para a sujeição da mulher ao homem (vers. 8 e 9). Então, nos versículos 14 e 15, ele chama a atenção para aquilo que aprendemos da observação da natureza. Isso demonstra como é apropriado que uma mulher tenha sua cabeça coberta quando ora. A natureza ensina que o cabelo longo é a glória para a mulher (quão triste é quando mulheres cristãs cortam seus cabelos à semelhança do mundo), e significa uma posição mais recatada. Ela não era para se mostrar com a ousadia dos homens. Seu cabelo lhe foi dado "em lugar de véu" (vers. 15). Ele marcou um lugar retirado; um lugar de sujeição na Criação de Deus. Isso foi feito por Deus e tem sua bem-aventurança onde não é colocado de lado pela vontade do homem. Devemos nos lembrar de que na "nova Criação" não há homem nem mulher, mas são todos um em Cristo Jesus. Porém, não é este o ponto tratado aqui, e sim os respectivos lugares de cada um neste mundo diante dos olhos de outros - dos próprios anjos.

Alguns, ao resistirem às Escrituras, têm distorcido isso ao tentar provar que o cabelo da mulher é a cobertura requerida. A tentativa de assim empregar mal a instrução divina é tão simplória que não mereceria comentário. Mas para alguns que talvez tenham sido enganados por essa estranha distorção, é bom chamarmos a atenção para alguns pontos. Se a cobertura de uma mulher pudesse ser entendida como sendo o seu cabelo, então o cabelo do homem seria a cobertura deste também. Bem, este não poderia ser, evidentemente, o significado no caso do homem. Qual é o homem que iria rapar a cabeça para ficar livre de sua cobertura? A própria natureza indica que ele deve ter cabelos curtos. E o homem, que deve ter cabelos curtos, "não deve cobrir a cabeça" quando fala a Deus, ou quando fala por Deus. "O varão pois não deve cobrir a cabeça, porque é a imagem e glória de Deus" (v. 7.)

Como poderia a expressão "não deve cobrir" significar que ele não deve deixar o cabelo crescer como o de uma mulher quando estiver orando? As palavras deste versículo expressam ação ou ausência de ação no momento da oração. Trata-se de algo que ele não deve fazer quando estiver orando. Ele pode cobrir a sua cabeça em outras ocasiões, mas estas instruções referem-se ao momento em que ele "ora ou profetiza". Como poderia alguém pensar diferente? Portanto, vemos que no caso do homem o seu cabelo não é a cobertura a que o texto se refere; ele não deve colocar um chapéu ou outra cobertura sobre sua cabeça nesse momento específico.

Repare outra vez no sexto versículo: fazer do cabelo da mulher a sua cobertura, ao invés de um véu, chapéu ou outro objeto, seria algo ridículo. Tal raciocínio faria aquele versículo significar que se uma mulher não tivesse nenhum cabelo sobre sua cabeça, então seu cabelo deveria ser cortado - uma impossibilidade óbvia! A tolice de se buscar provar que o cabelo da mulher é sua cobertura deveria ficar evidente. No versículo 15 lemos "em lugar de véu". Seu cabelo longo simplesmente marcou, na natureza, um lugar mais recatado, um lugar de sujeição.

OUTRAS DISTORÇÕES

Há alguns, na cristandade, que escrevem de forma a fazer um esforço para torcer as instruções simples, dizendo que o "cabelo crescido" é a cobertura, e que isto subentende uma proibição contra enrolar o cabelo. Com certeza é triste quando uma mulher cristã enrola sua glória, conformando-se, assim, com este mundo. Mas como poderia ela manter seu cabelo enrolado a maior parte do tempo, para então desenrolá-lo quando estivesse orando?

Trata-se de uma questão de ela demonstrar e reconhecer o lugar que lhe foi divinamente designado por Deus quando fala para Deus ou por Deus. Isto ela faz colocando uma cobertura sobre sua cabeça nesse momento. Obviamente se ela tem cabelos longos o tempo todo, ainda assim há algo para fazer quando estiver orando. Assim como vimos que no caso do homem Deus falou de uma ação a não ser executada no momento da oração, a mulher, que já tem o seu lugar recatado por natureza, e já tem o seu cabelo longo que marca a sua posição, deve então colocar uma cobertura sobre sua cabeça para demonstrar a sua sujeição nesse lugar. Será que isto não é simples o suficiente? O fato de estar descoberta seria, para a mulher, um sinal de que estaria tomando um lugar de autoridade, abandonando a posição que lhe é própria. Seria confusão na ordem estabelecida por Deus, e isso seria testemunhado por anjos. Deus deu explicações detalhadas para mostrar os motivos de tal regra. Por que tanto esforço para mudar isso? Deve-se temer que o simples ato de se recusar a exibir essa marca exterior de subordinação seja meramente a indicação de que o lugar dado pelo próprio Deus está sendo recusado.

Há outros que procuram colocar de lado a aplicação genérica desta instrução divina, dizendo que isso somente se aplica para o momento em que todos encontram-se juntos em assembléia. Isso é um grande erro, e é facilmente notado pelo fato de que a uma mulher não é permitido falar na assembléia (1 Co 14:34). Como poderia, então, ser dado a ela instruções de como agir quando estivesse profetizando na assembléia? Um versículo iria contradizer e anular o outro, se o significado fosse que sua cabeça deveria estar coberta somente quando estivesse em uma reunião. A instrução desta passagem é para os homens e para as mulheres, em todo o tempo, e em todo lugar. Seria igualmente errado para um homem orar a Deus, usando chapéu, tanto na privacidade de seu quarto como em público. E da mesma forma seria fora de ordem para uma mulher orar sem ter sua cabeça coberta mesmo quando estivesse sozinha em casa.

O versículo 16 dá força às instruções divinas. O que era válido para a assembléia em Corinto valia também para todas as assembléias; não era para ser deixado aberto às opiniões individuais, nem tampouco às decisões locais. E não havia espaço para ninguém contender - simplesmente não havia permissão para nenhum outro costume ou prática. O assunto estava encerrado, e não aberto à discussão.

Desde que Adão e Eva, no jardim do Éden, desejaram ser "como Deus" e caíram, a exaltação própria tem sido uma das piores ervas daninhas no coração humano. O primeiro casal não estava satisfeito com a parte que recebeu e, buscando exaltar-se a si mesmo, caiu em miséria e ruína. Bendito contraste com o segundo homem - o Senhor vindo do céu! Ele humilhou-Se a Si mesmo até o mais profundo, e agora Deus O exaltou sobremaneira (veja Fp 2). Bendito Salvador; possamos nós aprender mais de Ti!

Uma palavra mais a respeito da cobertura da cabeça. Que o Senhor possa exercitar as mulheres cristãs a selecionarem objetos que sejam realmente uma cobertura, quando for este o propósito de usá-los. Quão necessário é que ponham-se diante do Senhor ao adquirirem uma cobertura, que seja do agrado dEle.

Paul Wilson



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Preparando-me para mudar

O proprietário da casa em que morei como inquilino por muitos anos avisou-me que não irá mais providenciar reparos nela. Ele me disse que devo preparar-me para mudar.

A princípio essa não foi uma notícia das melhores. A vizinhança aqui é boa em muitos aspectos e, se não fosse pelo evidente apodrecimento da estrutura da casa, eu até que a consideraria satisfatória. Porém até mesmo um vento fraco a faz tremer, e todos os reforços não têm sido suficientes para fazê-la verdadeiramente segura. Por isso estou me preparando para mudar.

É estranho a rapidez com que passamos a nos interessar pelo nosso futuro lar. Tenho consultado mapas do lugar para onde vou e tenho lido a respeito de seus habitantes. Um deles foi até lá e voltou, e por meio dele aprendi que o lugar é de uma beleza sem igual - a própria linguagem é incapaz de exprimir as coisas que escutou enquanto estava lá. Ele contou que, a fim de fazer um investimento ali, sofreu a perda de tudo o que possuía aqui, e o que para ele é motivo de regozijo, é visto pelos outros como "sacrifício".

Outro, cujo amor por mim foi demonstrado pela maior prova imaginável, encontra-se lá agora. Ele tem me enviado pencas das mais deliciosas frutas. Depois de experimentá-las, todo alimento daqui, em comparação, não tem sabor nenhum.

Por duas ou três vezes eu já fui até à beira do rio que fica na fronteira, e cheguei até mesmo a desejar estar junto daqueles que se encontram do outro lado. Não seria maravilhoso viver em um lugar onde "conhecerei como também sou conhecido", não tendo nada para esconder, nenhuma dúvida, nenhum engano, somente Amor, Comunhão e Serviço, "delícias perpetuamente"?

Muitos dos meus amigos já se mudaram para lá. Pude ver o sorriso em seus semblantes enquanto os perdia de vista. Aqui, as verdadeiras alegrias da vida - o amor e a comunhão - nunca são plenamente desfrutadas em razão das limitações de tempo, dias, estações do ano, compromissos e celebrações, mas "ali não haverá noite" e terei a eternidade à disposição.

Há muitos que sugerem que eu deveria fazer mais investimentos materiais aqui, mas na verdade muitos dos que já fiz têm trazido mais preocupações do que satisfação. Por outro lado, aqueles que já fiz lá têm me dado grande gozo e paz. Como nosso coração está onde estiver o nosso tesouro, estou decidido a não fazer mais daquilo que se costuma chamar aqui de "bom investimento", pois digo com toda a sinceridade: Creio que devo me aprontar para a mudança. - Christian Treasury - Dez.87

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Babilonia - J. G. Bellett

A Babilônia mística de Apocalipse pode ser apresentada ostentando um Cristo crucificado e, ainda assim, ser Babilônia. Pois o que vem a ser ela, do modo como é esboçada pelo Espírito? Trata-se de algo mundano em seu caráter, na mesma medida em que é abominável e idólatra em doutrina e prática. Apocalipse 18 nos dá uma visão de Babilônia em seu mundanismo, porém no capítulo 17 ela é vista em sua idolatria.

A Babilônia da antiguidade, na terra da Caldeia, era repleta de ídolos e culpada do sangue ou do padecimento dos justos. Porém ela tinha também esta marca: demonstrava grandeza neste mundo, numa época de depressão para Jerusalém. O mesmo sucede com a Babilônia mística. Ela tem em seu seio suas abominações, e o sangue dos mártires de Jesus a mancha. Mas muito mais que isto, ela é revelada como grande, esplêndida e alegre neste mundo em uma época de rejeição a Cristo. Ela é importante neste mundo em um período em que o juízo de Deus está sendo preparado para cair sobre ele. Ela consegue glorificar-se a si própria e viver em luxúria em um lugar corrompido. Isto não quer dizer que ela ignore abertamente a cruz de Cristo. Ela não é pagã. Ela pode anunciar o Cristo crucificado, mas se recusa a conhecer o Cristo rejeitado. Ela não O acompanha em Suas provações. Os reis e mercadores da terra são seus amigos, e os habitantes da terra lhe estão sujeitos.

Acaso não é a rejeição de Cristo aquilo de que ela escarnece? Certamente que sim. O pensamento do Espírito acerca dela é: ela é exaltada no mundo enquanto o testemunho de Deus é rejeitado, e ela se coloca em posição de desafio, pois está ciente do que está fazendo.

A Babilônia da antiguidade conhecia bem a desolação de Jerusalém. A cristandade conhece exteriormente a cruz de Jesus e a anuncia. A Babilônia da antiguidade era muito insolente em seu desafio à dor de Sião. Ela fez com que os cativos de Sião contribuíssem para sua grandeza e deleites. Nabucodonosor procedeu assim com os jovens cativos, e Belsazar fez o mesmo com os vasos capturados.

Assim era Babilônia, e a cristandade encontra-se no mesmo espírito. A cristandade é aquilo que glorifica a si própria e vive confortavelmente neste mundo, negociando em tudo aquilo que é desejável, valioso e estimado neste mundo, fazendo-o bem diante da dor e rejeição daquilo que é de Deus. A cristandade se esquece, na prática, que Cristo foi rejeitado neste mundo.

O poder Medo-Persa é outra criatura. Ele remove a Babilônia mas exalta a si próprio (Daniel 6). É esta a ação da "besta" e de seus dez reis. A mulher, a Babilônia mística, é removida pelos dez reis, mas estes entregam, então, o seu poder à besta que se exalta (como fez Dario, o Medo) acima de tudo o que é chamado Deus ou que é adorado. É esse o desfecho, o ponto culminante na cena da apostasia mundial, mas ainda não chegamos lá. Nosso conflito é com a Babilônia e não com os Medos; é com aquilo que vive em luxúria e honra durante a era de ruína de Jerusalém, isto é, da rejeição de Cristo. - John Gifford Bellet (1795–1864)

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Os dois inquilinos - A. T. Schofield

Suponhamos que um senhorio tenha alugado sua casa a um mau inquilino, que bebe, joga, pragueja e seja uma desgraça para a vizinhança, além de nunca pagar o aluguel. Por fim, o senhorio perdoa todos os aluguéis atrasados e coloca na casa um novo inquilino - tranquilo, respeitável, trabalhador, e com autoridade suficiente para manter o mau inquilino quieto em um dos aposentos da casa. Ele nunca deverá permitir que o mau inquilino tome o domínio da casa, e jamais deixará que ele abra a porta.

Esta é uma figura um pouco grotesca de um cristão. Seu corpo é a casa; sua velha natureza é o mau inquilino; sua nova natureza é o bom inquilino, e Deus é o proprietário do imóvel, pois nosso corpo não é nosso, mas do Senhor. Não moramos em casa própria, por assim dizer, mas somos meros inquilinos - uma verdade solene e frequentemente esquecida.

Surge, então, uma dificuldade. O mau inquilino é um velho muito forte; o novo inquilino é um jovem ainda fraco. Embora ele tenha completa autoridade, ele não tem poder para cumprir o desejo do proprietário da casa. Ele clama por auxílio e o proprietário envia um forte amigo, de sua própria casa, para ajudar o novo inquilino a subjugar o velho inquilino e mantê-lo sob custódia.

O amigo forte é o Espírito Santo, "para que, segundo a riqueza da Sua glória, vos conceda que sejais fortalecidos com poder, mediante o Seu Espírito no homem interior" (Ef 3.16 Almeida Versão Atualizada). É por isso que com frequência lemos acerca dEle subjugando o velho inquilino ao invés do novo inquilino fazê-lo. Devemos, evidentemente, entender que esse amigo nunca interfere, a menos que o novo inquilino o deseje (veja Gálatas 5.17,25).

Suponhamos que eu convide alguns amigos para virem a essa casa e passarem uma noite agradável com meu velho amigo que mora ali. Eu ouvi dizer que aconteceram algumas mudanças naquela casa, mas não sei exatamente o que aconteceu. A porta é aberta pelo velho inquilino, mas ele está com uma aparência intimidada. Quando eu lhe digo a respeito da razão de minha vinda, ele diz, "Bem, evidentemente eu gostaria de convidá-lo a entrar, mas não posso fazê-lo pois o novo inquilino não gostaria. Você compreende, agora é ele o responsável por esta casa perante o proprietário, e ele é muito exigente quanto a mantê-la em ordem e em silêncio. Eu só vim atender porque ele está dormindo, mas se houver qualquer barulho na casa ele logo me trancará novamente".

Fica evidente, neste caso, que fui atendido pela mesma pessoa que conhecia há tempos, com a única diferença que ele teve seus aluguéis perdoados e que há agora um novo inquilino na casa, do qual ele tem medo.

Suponhamos, agora, que eu volte depois de alguns meses para tentar induzir meu velho amigo a sair e passar uma noite divertida junto comigo. Está bem escuro quando eu bato à porta, portanto não posso ver quem vem abri-la, mas supondo que seja meu velho amigo, eu digo:

- Venha ao teatro comigo.

- Eu nunca vou lá - é a resposta que ouço.

- Eu sei - digo eu - é porque você agora tem medo.

- Não, eu não estou com medo; acontece que não ligo para isso.

- Deixa disso - digo eu - não aceito tal desculpa; eu sei que você gosta, e muito, mas você está com medo do novo inquilino.

- Eu sou o novo inquilino - é a resposta que ouço.

Neste caso, não estou diante do velho homem com seu aluguel perdoado, mas de um homem completamente novo, respondendo às minhas perguntas e declarando que não liga para os prazeres mundanos. Trata-se, aqui, de algo novo, mas é esta também a verdadeira posição do cristão: ele deve sempre deixar que sua nova natureza, e nunca a velha, atenda à porta.

Vamos supor agora que eu continue a bater à porta por alguns meses, e receba invariavelmente a mesma resposta. Não seria surpresa eu pensar que o velho inquilino tivesse morrido, pois ele nunca atende à porta. Assim é ele, ao menos naquilo que diz respeito ao aspecto visível da sua existência. O novo inquilino, no entanto, poderia me contar das muitas tentativas que o velho homem faz para escapar de seu confinamento, quando nada exceto a força do amigo pode evitar que ele se mostre tão mau como sempre foi. [ A. T. Schofield ]

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A responsabilidade do cristao perante o mundo - Tim Cedarland

Disse Jesus: "Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda a criatura." Marcos 16.15. Que maravilhoso é, para os crentes, saberem que seus pecados estão perdoados e que possuem um lar nos céus, que lhes foi preparado por seu Salvador, o Senhor Jesus Cristo! E que esperança maravilhosa temos por saber que a qualquer momento poderemos escutar o chamado e sermos levados deste mundo para encontrar o Senhor nos ares -- para estarmos para sempre com Ele, que nos amou e Se entregou a Si mesmo por nós! (1 Ts 4.16,17).

Mas por que Deus preferiu nos deixar aqui ao invés de nos levar para o céu no momento em que fomos salvos? Acaso não somos deixados aqui para representar Cristo neste mundo onde Ele foi rejeitado e de onde foi lançado fora? Somos deixados para adorá-Lo e glorificá-Lo. Deixados para brilhar como luzeiros, e sermos Seus embaixadores enquanto aguardamos por Seu retorno muito em breve. Acaso não nos deu Ele uma mensagem para ser anunciada às almas preciosas que Ele tanto ama? E será que não somos responsáveis em sair ao encontro delas com esta mensagem de salvação que tanto necessitam?

Muitos estão se dirigindo rumo a uma eternidade de perdição no inferno! Devemos, como crentes, ficar indiferentes às necessidades daqueles que nos cercam? Se uma criança estivesse para atravessar uma rua movimentada, com toda certeza nós tentaríamos salvá-la! Se a casa de nosso vizinho estivesse em chamas e ele dormisse em seu interior, não procuraríamos avisá-lo do perigo? E, no entanto, muitos de nossos vizinhos e amigos correm um perigo ainda muito maior do que se estivessem no interior de uma casa em chamas: estão dormindo em seus pecados, e correm o perigo de perder suas almas eternamente! É, portanto, nossa responsabilidade avisá-los de sua condição! O apóstolo Paulo até mesmo dizia: "Ai de mim, se não anunciar o evangelho!" (1 Co 9.16). E também: "Sabendo o temor que se deve ao Senhor, persuadimos os homens" (2 Co 5.11).

Não é apenas uma responsabilidade do cristão divulgar o evangelho, mas é um privilégio que deveria ser motivado pelo amor para com Cristo. "O amor de Cristo nos constrange" (2 Co 5.14). Se realmente temos um amor genuíno por Cristo e se nossos corações estão verdadeiramente motivados por Ele, não seremos capazes de ficar sem sair em busca dos outros, seja de uma maneira ou de outra. Pedro e João podiam dizer: "Não podemos deixar de falar do que temos visto e ouvido" (At 4.20). Se já estivemos com o Senhor e desfrutamos da Sua presença, nossos corações se transbordarão para com aqueles que nos cercam. Jesus disse aos Seus discípulos: "E vós também testificareis, pois estivestes comigo..." (Jo 15.27).

É maravilhoso usufruirmos, para nós mesmos, das benditas verdades das Escrituras, mas compartilhemos também com os outros, em amor, aquilo que temos, para não estagnarmos em nossa vida cristã. O Mar Morto é morto porque não tem saída. Ele sempre recebe mas nunca dá. Ele não transborda para formar nem mesmo um pequeno córrego que traga algum proveito ao deserto ao seu redor. De graça recebemos. Vamos dar de graça também! Que o Senhor nos auxilie a sermos sensibilizados pela necessidade daqueles que se encontram perdidos e perecendo ao nosso redor. Que possamos despertar e entender a verdade expressa em 2 Reis 7.9: "Este dia é dia de boas novas!"

O tempo é curto. A vinda do Senhor está próxima! Breve o dia da graça terminará e não haverá mais oportunidades de falarmos de Cristo ou sentirmos compaixão pelas almas perdidas que estão ao nosso redor. Que o Senhor nos ajude a sermos fiéis na responsabilidade que Ele entregou a cada um de nós, a fim de podermos desfrutar do gozo de ouvir de Seus lábios estas palavras: "Bem está, servo bom e fiel... entra no gozo do teu Senhor" (Mt 25.21). [ Tim Cedarland ]

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As Escrituras - C. H. Mackintosh

No reino de Ezequias houve um marcante retorno à autoridade dos escritos sagrados. Cedo eles vieram a descobrir que não haviam guardado a páscoa, "porque muitos a não tinham celebrado como estava escrito" (2 Cr 30.5). Vemos, portanto, que os homens de Judá receberam de Deus um só coração para cumprir o mandamento do rei, e dos príncipes, pela Palavra do Senhor (2 Cr 30.12). Além disso, Ezequias estabeleceu holocaustos da manhã e da tarde, e holocaustos dos sábados e das luas novas e das solenidades, como está escrito na Lei de Moisés (2 Cr 31.3).

Nos dias de Josias, rei de Judá, o maravilhoso reavivamento teve origem em um reconhecimento prático da divina autoridade das Escrituras. Elas foram trazidas por Hilquias, o sacerdote, que encontrou na casa do Senhor "o livro da Lei do Senhor, dada pela mão de Moisés (2 Cr 34.14). "E Hilquias respondeu, e disse a Safã, o escrivão: Achei o livro da Lei na casa do Senhor... E Safã leu nele perante o rei. Sucedeu pois que, ouvindo o rei as palavras da Lei, rasgou os seus vestidos" (2 Cr 34.15,18,19).

A razão disso foi que ele compreendeu, por meio daqueles escritos, que se encontravam, com justiça, expostos à ira divina e às maldições descritas no livro, por causa dos seus pecados, por desprezarem o Senhor Deus, e por haverem queimado incenso a outros deuses (2 Cr 34.21,24). Então eles se submeteram à autoridade dos escritos sagrados, e celebraram a páscoa em conformidade com a ordenança "como está escrito no livro de Moisés" (2 Cr 35.12), o que foi acompanhado de abundantes bênçãos dadas por Deus.

Eles foram tão exercitados pela autoridade das Escrituras acerca disso, que lemos que o mandamento do rei foi: "imolai a páscoa: e santificai-vos, e preparai-a para vossos irmãos, fazendo conforme a Palavra do Senhor, dada pela mão de Moisés" (2 Cr 35.6). Nos é dito ainda que o mal "e todas as abominações que se viam na terra de Judá e em Jerusalém, os extirpou Josias, para confirmar as palavras da Lei, que estavam escritas no livro que o sacerdote Hilquias achara na casa do Senhor. E antes dele não houve rei semelhante, que se convertesse ao Senhor com todo o seu coração, e com toda a sua alma, e com todas as suas forças, conforme toda a Lei de Moisés: e depois dele nunca se levantou outro tal" (2 Rs 23.24,25).

O retorno dos judeus do cativeiro na Babilônia foi também marcado de forma extraordinária por seu reconhecimento da autoridade da Lei escrita do Senhor. Sabemos que Esdras era "escriba hábil na Lei de Moisés, dada pelo Senhor Deus de Israel" (Ed 7.6). Tal foi o seu reconhecimento da autenticidade divina dos escritos sagrados que nos é dito que "Esdras tinha preparado o seu coração para buscar a Lei do Senhor e para a cumprir e para ensinar em Israel os seus estatutos e os seus direitos" (Ed 7.10).

Lemos também que quando eles foram reunidos como um só homem em Jerusalém, "edificaram o altar do Deus de Israel, para oferecerem sobre ele holocaustos, como está escrito na Lei de Moisés, o homem de Deus... E celebraram a festa dos tabernáculos como está escrito" (Ed 3.2,4). E então, quando o templo estava terminado, eles consagraram a casa de Deus com gozo; ofereceram um sacrifício pelo pecado, de acordo com as doze tribos de Israel. "E puseram os sacerdotes nas suas turmas e os levitas nas suas divisões, para o ministério de Deus, que está em Jerusalém; conforme ao escrito do livro de Moisés" (Ed 6.15-18).

Quando Neemias era o copeiro do rei, lemos que ele jejuou, chorou e orou a Deus, e reconheceu a Palavra que Ele havia dado por Seu servo Moisés, a qual é encontrada em Levítico e Deuteronômio (Ne 1.8,9). Quando o muro estava completo, o povo se reuniu na rua como um só homem, e pediram a Esdras, o escriba, que trouxesse o livro da Lei de Moisés que o Senhor dera a Israel. Assim ele fez, e leu-o, e todo o povo estava atento ao livro da Lei. E Esdras abriu o livro à vista de todo o povo, e outros fizeram com que o povo compreendesse a Lei. Assim eles leram o livro da Lei de Deus distintamente, mostrando o significado, e os levaram a compreender a leitura.

Eles acharam escrito na Lei, que o Senhor havia dado por Moisés, que os filhos de Israel deveriam habitar em cabanas; "porque nunca fizeram assim os filhos de Israel, desde os dias de Josué, filho de Num, até àquele dia; e houve mui grande alegria. E de dia em dia ele lia no livro da Lei de Deus, desde o primeiro dia até ao derradeiro" (Ne 8.1-18). Mais adiante nos é mostrado que depois disso "leu-se no livro de Moisés, aos ouvidos do povo; e achou-se escrito nele que os amonitas e os moabitas não entrassem jamais na congregação de Deus. Sucedeu pois que, ouvindo eles esta lei, apartaram de Israel, toda a mistura" (Ne 13.1,3).

É muito interessante observar aqui que os fiéis que retornaram do cativeiro voltaram-se à autoridade divina, àquilo que Deus havia ordenado desde o princípio. Eles não se basearam em nenhum período ou reavivamento em particular, mas permaneceram naquilo que tinha sido escrito, separados de todas as tradições dos homens. Acaso não é este, sempre, o caminho daquele que é fiel em tempos maus? - Charles Henry Mackintosh (1820-1896)

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Fruto na velhice

No Evangelho de Marcos há o registro da escolha que Jesus fez de doze homens para serem Seus discípulos. A Bíblia diz, "E nomeou doze para que estivessem com Ele e os mandasse a pregar" (Mc 3.14). Observe que Jesus os escolheu para que primeiro estivessem com Ele, e depois os enviou a pregar. Estar com Ele era comunhão; ser enviado a pregar era serviço. Nisso vemos que a comunhão com Deus é mais importante que o serviço, pois Deus deseja comunhão antes do serviço. Você pode estar surpreso com isso, mas é a ordem estabelecida por Deus. A comunhão com Deus é realmente mais importante que o serviço para Deus.

O cristão que se encontra inválido pela ação de uma artrite, ao ponto de ser atacado por intensa dor ao mais leve movimento, está, obviamente, muito limitado naquilo que pode fazer para o Senhor. Mas o que dizer da comunhão? Uma pessoa assim não somente desfruta de comunhão com Deus, mas pode ter uma comunhão muito mais rica agora que tem mais tempo disponível.

Assim se expressou uma senhora que vive em um asilo:

"Anos atrás eu estava tão ocupada cuidando de minha família que dificilmente tinha tempo para me sentar e ler minha Bíblia, como na verdade deveria ter feito. Ah! sim, eu a lia com uma certa freqüência junto com toda a família. Nós a estudávamos juntos; meditávamos um pouco nela, mas na realidade eu não separava um tempo para ter comunhão com Deus enquanto líamos a Sua Palavra -- falhávamos por não meditarmos verdadeiramente nela. Mas agora estou aposentada e tenho o tempo todo à minha disposição. Começo a desfrutar da meditação na Palavra de Deus, e agora estou tendo uma comunhão maravilhosa com Ele".

Aquela senhora está agora trazendo um prazer muito maior ao Senhor do que antes, quando o tempo que dispunha para Deus era tão limitado.

Por que Deus tem esse interesse tão especial em pessoas mais velhas? Deus quer ter comunhão com os cristãos, e muitos não separam um tempo para meditar e ter comunhão com Ele. Mas as pessoas mais velhas, que têm tempo disponível, podem desfrutar de uma deliciosa comunhão com o Senhor. Deus Se agrada dessa comunhão com pessoas de idade que conhecem o Salvador, e é este um dos frutos espirituais que Deus tem buscado e espera receber.  [Christian Treasury - Vol.5 Nº4]


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Linguas e outros dons de sinais - Gordon H. Hayhoe

"Está escrito na Lei: Por gente doutras línguas, e por outros lábios, falarei a este povo; e ainda assim me não ouvirão, diz o Senhor. De sorte que as línguas são um sinal, não para os fiéis, mas para os infiéis; e a profecia não é sinal para os infiéis, mas para os fiéis" (1 Co 14.21,22).

"E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem... E todos pasmavam e se maravilhavam, dizendo uns aos outros: Pois que! não são galileus todos esses homens que estão falando?... os temos ouvido em nossas próprias línguas falar das grandezas de Deus" (At 2.4-11).

Quando nos referimos a este assunto, é de suma importância que entendamos duas coisas:

1. Qual era o propósito do dom de línguas?

2. Eram elas línguas normalmente faladas no mundo, ou eram meramente um balbuciar pronunciado em êxtase?

Os versículos citados no início respondem com muita clareza a estas perguntas: Primeiro, foram dadas como um sinal para incrédulos e não para os crentes. Segundo, eram línguas entendidas por pessoas originárias de países onde se falava aqueles idiomas.

Se tivermos estas duas coisas em mente, todas as passagens que tratam do assunto se tornarão claras de uma só vez. Quanto ao fato de elas existirem ou não nos dias de hoje, se existirem, devemos esperar que sejam as mesmas mencionadas pelas Escrituras. Deus deu sinais para confirmar a Palavra para os incrédulos, isto é, antes que o Novo Testamento tivesse sido escrito (Mc 16.20; Hb 2.3,4). Porém hoje encontramos duas coisas que chamam nossa atenção no moderno movimento de línguas:

Primeiro, elas não são utilizadas para proclamar as grandezas de Deus aos incrédulos em suas próprias línguas.

Segundo, elas encontram-se, freqüentemente, associadas com algum erro sério acerca da Pessoa e obra de Cristo, e também estão conectadas a outras práticas que não são bíblicas.

Estas coisas devem nos colocar em estado de alerta antes que nos envolvamos com tais movimentos, pois nos é dito: "Examinai tudo. Retende o bem" (1 Ts 5.21). A maneira de as examinarmos é pela Palavra de Deus. É algo muito sério buscarmos algum tipo de poder que não esteja em conformidade com a Palavra de Deus.

Consideremos as três passagens em Atos que falam das línguas. Em Atos 2, no dia de Pentecostes, o Espírito Santo desceu de acordo com a promessa de Atos 1.4,5 (veja também João 7.39; 16.7). Até àquela época Deus estava tratando com uma nação em particular, e o Senhor Jesus, quando esteve aqui na terra, declarou, "Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel" (Mt 15.24). Ele também falou aos Seus discípulos, "Não ireis pelo caminho das gentes (gentios), nem entrareis em cidade de samaritanos; mas ide antes às ovelhas perdidas da casa de Israel" (Mt 10.5,6). Porém no dia de Pentecostes algo novo estava para começar. O Senhor Jesus havia dito, "Edificarei a minha Igreja" (Mt 16.18), e essa Igreja seria composta de judeus e gentios (1 Co 12.13). A parede de separação entre judeus e gentios estava para ser derrubada (Ef 2.14), e qual sinal poderia ser mais apropriado, para ser dado em conexão com esse algo novo, do que o dom de línguas? A mensagem das grandezas de Deus era assim proclamada em muitas línguas diferentes, e isso sem qualquer aprendizado prévio por parte dos que as falavam. Deus mostrava estar indo além das fronteiras de Israel, pois Ele estava pronto para derrubar a parede de separação que dividia os judeus dos gentios.

Encontramos a próxima referência ao dom de línguas em Atos 10.46. Vemos ali um grupo de gentios na casa de Cornélio, pois mais uma vez Deus está apresentando aquilo que é novo pela introdução dos gentios na formação da igreja de Deus sobre a terra. Eles receberam o Evangelho proclamado por Pedro e, quando o Espírito Santo veio sobre eles, falaram em línguas e foram acrescentados à igreja. Em Atos 11.4-18, ao recordar o que acontecera, Pedro disse, "caiu sobre eles o Espírito Santo, como também sobre nós ao princípio". Isso deixa bem claro que eles também falaram línguas inteligíveis (idiomas falados neste mundo), pois foi assim que o dom de línguas havia sido dado "ao princípio". Mais uma vez vemos que isso estava em harmonia com os desígnios de Deus, em demonstrar que Ele estava alcançando, muito além de Israel, os próprios gentios. Aqueles que se encontravam na assembléia em Jerusalém foram levados a admitir isso, pois disseram, "Na verdade até aos gentios deu Deus o arrependimento para a vida" (At 11.18).

A terceira vez em que lemos acerca do dom de línguas é em Atos 19.6, quando Paulo vai a Éfeso. Ali vemos um grupo de discípulos que nunca havia ouvido o evangelho da graça de Deus. Eles haviam aceitado a mensagem de João Batista que falava da vinda do Messias e, em arrependimento, tinham sido por ele batizados. Agora eles ouvem acerca do Senhor Jesus que morreu e ressuscitou, e que o Espírito Santo foi enviado. João havia dito que o Senhor Jesus batizaria com o Espírito Santo (Mt 3.11), e isso já havia acontecido no dia de Pentecostes, como o Senhor Jesus havia predito que aconteceria em Atos 1.5. Agora já não era mais necessário esperar pelo batismo do Espírito Santo, pois Ele já havia vindo, e assim, quando Paulo impôs suas mãos sobre eles, receberam o Espírito Santo. Eles também deram testemunho, ao falar em línguas, que o cristianismo não era igual à mensagem de João à nação de Israel, pois a mensagem do evangelho no cristianismo alcançava até os gentios. A epístola de Paulo aos Efésios não menciona o dom de línguas, mas revela claramente como a parede de separação entre judeus e gentios foi derrubada, formando um corpo em Cristo (Ef 2.14-16; 3.6).

A única epístola que fala do dom de línguas é 1 Coríntios. Ali nos é dito que aos Coríntios não faltava nenhum dom, e ainda assim eram cristãos carnais (1 Co 1.7; 3.1). Uma vez que "os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento" (Rm 11.29), Deus não retira um dom que tenha sido dado a uma pessoa, mesmo que ela não o esteja utilizando em conformidade com a Sua vontade revelada em Sua Palavra. É possível usar um dom dado por Deus de maneira errada, ou fazê-lo apenas para exibição e exaltação própria. Além disso é importante notar que nem todos os crentes em Corinto tinham o dom de línguas (1 Co 12.30), mas alguns, que haviam recebido esse dom, não o estavam usando em amor e nem para proveito, razão pela qual Paulo os exorta a não agirem como meninos que gostam de se exibir (1 Co 13.11; 14.20). Quando ele fala das línguas dos homens e dos anjos, o faz no mesmo sentido em que fala de anjos pregando um outro evangelho (Gl 1.8), pois podemos estar certos de que os anjos são capazes de falar qualquer língua deste mundo, e que os anjos eleitos são espíritos ministradores cuidando de todos os filhos de Deus, independente de sua nacionalidade (Hb 1.13,14).

Não existe aqui nenhum pensamento acerca da, assim chamada, "língua celestial", pois como poderia uma língua desconhecida a qualquer pessoa ou nação deste mundo ser um testemunho para incrédulos? Pois as Escrituras nos demonstram, conforme já mostramos, que as línguas foram dadas como um sinal para os incrédulos. As línguas não serão necessárias quando "vier o que é perfeito" (1 Co 13.8-10), portanto cessarão na glória vindoura. Note aqui que não diz "o dom de línguas", mas simplesmente que as "línguas" cessariam. Nos céus a profecia não será necessária, o conhecimento não será mais em parte e, já que todos serão de um mesmo parecer e falarão a mesma linguagem, então as línguas (ou idiomas) cessarão. As diferentes línguas começaram com a torre de Babel quando o homem, em seu orgulho, procurou erguer uma torre de tijolos cujo topo alcançaria os céus. Agora Deus está construindo uma casa espiritual, da qual todos os crentes fazem parte como pedras vivas, não importa que língua falem ou a que nacionalidade pertençam. Mais uma vez vemos a sabedoria de Deus em apresentar esse algo novo por meio do dom de línguas. O uso desse dom sem amor e para pura exibição não estava nos propósitos de Deus.

Mais adiante, no capítulo quatorze de 1 Coríntios, o apóstolo continua tratando deste assunto e dá as regras para o seu uso em assembléia. Nas ocasiões anteriormente registradas em Atos, elas não eram usadas na assembléia, quando estavam reunidos, mas apenas como um sinal para cumprir o propósito para o qual Deus lhes havia dado. Já que era um dom dado por Deus o seu uso não era proibido, a não ser quando não houvesse um intérprete. O dom seria, quando usado adequadamente, uma lembrança à assembléia da graça de Deus em operar entre as nações em bênção, reunindo-os num só corpo em Cristo. Mesmo em nossos dias podemos ser propensos a esquecer, em uma assembléia onde todos falem a mesma língua, que Deus está salvando almas de toda tribo, língua, povo e nação, e dando a elas o Espírito Santo como membros do único corpo. Com freqüência, quando alguém que fala outra língua nos visita, e temos que interpretá-la para os demais, somos lembrados de como, no dia de Pentecostes, cada um ouviu das grandezas de Deus em sua própria língua natal (At 2.8).

É triste termos que admitir que os coríntios estavam usando o dom de línguas para exibição e, por esta razão, Paulo precisou dizer-lhes que não falassem em outra língua, desconhecida dos presentes, a menos que houvesse um intérprete. Eles poderiam, porém, falar "consigo mesmo e com Deus" em outra língua, pois Ele entende todas as línguas. Se eu estivesse em uma reunião onde ninguém compreendesse o inglês, eu falaria comigo mesmo e com Deus em inglês. Mas os versículos 21 e 22 de 1 Coríntios 14 deixam claro que não se tratava de algum balbuciar pronunciado em êxtase, Porém as línguas que Paulo mencionava eram diferentes idiomas que poderiam servir de sinal, para os incrédulos, do poder de Deus e de como a mensagem da salvação chegava agora a todas as nações. Se nenhum dos presentes na assembléia pudesse entender a língua, e se não houvesse nenhum intérprete, ela não serviria para o propósito dado por Deus, conforme é demonstrado em Atos 2. Além do mais teria parecido loucura para os estranhos que chegassem e não pudessem compreender o que estava sendo falado. Seria confusão; Deus não seria glorificado e ninguém seria edificado (1 Co 14.21-25).

Mas a pergunta que normalmente se faz é se ainda temos o dom de línguas em nossos dias. Perguntar isso já é dar a resposta, pois não existe uma pessoa ou grupo que possa admitir ser capaz de fazer o que aconteceu em Atos 2, reunindo um grupo de pessoas de "todas as nações que estão debaixo do céu" (At 2.5), e então falar-lhes, em suas próprias línguas, das grandezas de Deus.

Isto nos leva a uma consideração importante, não apenas com respeito ao dom de línguas, mas também acerca de todos os dons de sinais. As Escrituras não prometem que os dons de línguas, curas e milagres, que incluíam até o ressuscitar mortos, conforme eram exercidos na igreja primitiva por pessoas especialmente dotadas, iriam continuar. Sabemos que eles existiram nos primeiros dias da igreja, como está claramente registrado em Atos e Coríntios, como sinais para confirmarem a Palavra que ainda não tinha sido escrita. Há, no entanto, a promessa da continuidade dos dons de ministério para edificação da igreja (Ef 4.7-16). Temos agora, na Palavra escrita, o fundamento do cristianismo lançado pelos apóstolos e profetas (Rm 16.26; 1 Co 3.10; Ef 2.20-22), e a continuação dos dons de ministério, "para edificação do corpo de Cristo; até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo. Para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina" (Ef 4.12-14).

Como já foi mencionado, há aqueles que professam possuir o dom de línguas e outros "dons de sinais" em nossos dias. À medida que colocamos à prova suas afirmativas, pela Palavra de Deus e pelos próprios fatos, constatamos que não são iguais àquilo que nos é apresentado no livro de Atos. Não usam o dom de línguas como um sinal para os incrédulos e nem podem fazer que um grupo de doentes se aproxime e sejam todos curados (At 5.12-16). Mesmo com respeito às curas registradas em Atos, não existe a certeza de que aqueles que foram curados fossem crentes, mas tudo indica justamente o contrário. Era um sinal para confirmar a Palavra para os incrédulos, mesmo porque os verdadeiros crentes não necessitam que a Palavra lhes seja confirmada, pois a receberam como sendo a Palavra de Deus (1 Ts 2.13). É também importante notar que a cura tem relação com o tempo ou século futuro (Hb 6.5; Is 33.24; Sl 103.3). Era um sinal dirigido especialmente àqueles que haviam rejeitado o seu Messias, e a outros também, mostrando que é Ele Quem irá no futuro trazer as bênçãos do reino sobre a terra; que Ele Se encontra agora ressuscitado, e que essas obras de poder eram feitas em nome dEle (At 4.9,10).

É muito importante distinguirmos as duas esferas distintas de bênção das quais o Senhor será o centro no dia vindouro (Ef 1.10). Haverá a esfera celestial à qual pertence à igreja (2 Co 5.1; Cl 1.5; 1 Pd 1.3,4) e haverá a esfera terrenal da qual a Jerusalém na terra será o centro (Is 4.3-5; 65.18). Já que nós, como parte que somos da igreja, somos um povo celestial, aguardamos o momento da Sua vinda quando seremos transformados e teremos corpos de glória à imagem do corpo glorioso de Cristo (Fp 3.20,21). Enquanto isso, neste tabernáculo "gememos, desejando ser revestidos da nossa habitação, que é do céu" (2 Co 5.2).

Em relação a isto, é bem interessante notar com cuidado as referências feitas às doenças entre os crentes nas epístolas, entre aqueles que pertencem ao povo celestial. Lemos em Romanos 8.23 que "nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo". Não há aqui nenhuma referência a cura, mas sim a esperar pela redenção de nosso corpo. O Espírito, enquanto isso, "ajuda as nossas fraquezas" ("enfermidades", cf. versão inglesa), mas não diz que Ele as remove.

Mais adiante, em 2 Coríntios 12.7-10, vemos que Paulo tinha um espinho na carne, chamado de "enfermidade física" em Gálatas 4.13 (versão Almeida Revista e Atualizada), e ainda assim o Senhor não o curou, mas o ensinou a depender dEle quanto àquela dificuldade. Timóteo tinha "freqüentes enfermidades", mas Paulo não lhe indicou alguém que o curasse, mas aconselhou que utilizasse um remédio para sua enfermidade (1 Tm 5.23). Mais uma vez vemos, em 2 Timóteo 4.20, que embora Paulo houvesse curado a muitos em seu trabalho no evangelho, (como está registrado em Atos 19.11,12; 28.8,9), deixou Trófimo doente em Mileto.

Em Tiago 5.14-18 encontramos o caso de um que, estando doente, chama pelos anciãos para orarem por ele. Não se trata da fé do doente que lhe restaura a saúde -- sua fé nem mesmo é mencionada -- mas trata-se de um exercício de fé da parte daqueles que oraram por ele. Também não se trata do dom de curar sendo exercitado, mas sim de uma oração respondida, sugerindo que aquele que estava doente reconhecia que devia ser honesto o suficiente para confessar um pecado conhecido. Aqueles que oram discernem a vontade de Deus em relação à enfermidade, e orando de acordo com a vontade de Deus, Ele responde à oração. Não há menção aqui de uma cura súbita e miraculosa, mas do Senhor levantando o enfermo novamente. Além do mais, naqueles dias havia anciãos (ou presbíteros) designados pelos apóstolos, enquanto que hoje não há apóstolos ou quem tenha recebido autoridade delegada diretamente por eles, como era o caso de Tito (Tt 1.5), para estabelecer anciãos. A assembléia local nunca nomeava os seus próprios anciãos, mesmo nos tempos bíblicos, embora não exista dúvida de que mesmo nestes nossos dias de ruína e fracasso Deus permaneça fiel, e assim como Paulo previu que viriam dias em que lobos vorazes entrariam (e estão entrando) no rebanho, ele se referiu também àqueles anciãos de Éfeso, não como tendo sido nomeados por Paulo, mas pelo Espírito Santo (At 20.28.30). Não existem anciãos (bispos ou presbíteros) oficiais hoje, mas sem dúvida há, ainda hoje, aqueles levantados por Deus para tomar conta do Seu povo, em um espírito de humildade e amor pelo rebanho de Deus. Não há dúvida de que é por esta razão que Tiago menciona o caso de Elias, um profeta nos dias da ruína e divisão de Israel, e demonstra como ele era conhecedor da vontade de Deus em suas orações. Ele primeiro viu, ao suspender as chuvas, a necessidade de disciplina do povo de Deus, e então Deus em graça respondeu à oração de Elias ao enviar chuva. Com freqüência temos visto, em nossos dias, o Senhor respondendo às orações, em situações de dificuldade ou ao restaurar a saúde aos enfermos, mas precisamos compreender as épocas e termos discernimento da Sua vontade a este respeito (Ef 5.17).

Por meio de 1 Coríntios 11.30 podemos ver como Deus utiliza a enfermidade em Seus desígnios governamentais, pois lemos que em virtude de pecado não julgado Deus permitiu que muitos em Corinto estivessem "fracos e doentes", por não terem julgado a si mesmos por seu proceder negligente. João também fala destas coisas em sua epístola (1 João 5.14-17), mostrando como o Senhor poderia remover, por meio da morte, alguém que não tomasse cuidado com seu proceder. Embora o cristão esteja eternamente seguro no que diz respeito à salvação de sua alma, ele se encontra sob os desígnios governamentais de Deus, e Ele às vezes utiliza a doença para tratar com os que são Seus. Se nos recusamos a escutar, poderemos perder o privilégio de vivermos aqui como um testemunho para Cristo, embora o sangue de Cristo já nos tenha tornado prontos para o céu. Evidentemente isto não significa que toda enfermidade seja uma punição, pois ela pode vir tanto em razão de nosso corpo fazer parte de uma criação que geme, e termos por isso herdado alguma fraqueza, como pode também fazer parte do método de ensino de Deus, como quando se poda uma videira para que produza mais fruto. Era este o caso de Paulo em 2 Coríntios 12.7-10.

É de suma importância para nós, em nossa expectativa, não irmos além da Palavra de Deus (1 Co 4.6; Sl 62.5; Nm 23.19). Aqueles que buscam por dons de sinais nos dias de hoje, estão permitindo que suas expectativas ultrapassem a Palavra de Deus, e isso os deixa vulneráveis a "todo vento de doutrina" e ao poder do inimigo (Sl 17.4,5; 2 Tm 2.24-26). Falsos profetas farão sinais e maravilhas no futuro (Mt 24.24), mas serão sinais feitos pelo poder de Satanás, e a única maneira de termos certeza se algo é de Deus é que esteja de acordo com Sua Palavra. Todas as passagens das Escrituras que tratam dos últimos dias da história da igreja, falam do abandono de Deus e de fraqueza, não de sinais e maravilhas. Veja a descrição que Paulo faz dos últimos dias da igreja em 2 Timóteo 3, ou a descrição que João faz dos últimos dias da igreja como é vista em Laodicéia (Ap 3.14-20), e também os avisos de Pedro em 2 Pedro 3.3,4. A profecia de Joel em Atos 2, que alguns usam para dar fundamento aos sinais e maravilhas nestes últimos dias da história da igreja, se refere a um tempo futuro para Israel (trata-se dos últimos dias para Israel, cf. Joel 2.21-32). O dia do Pentecostes encontrava-se naquele caráter pois a Israel, como nação, foi dada naquela ocasião a oportunidade de se arrepender de sua culpa por ter crucificado o Messias, e assim receber a bênção prometida, que será deles em um dia futuro quando efetivamente irão se arrepender (At 3.17-26).

O Espírito Santo foi dado no dia do Pentecostes, e agora, como uma Pessoa divina, Ele habita nos corpos dos crentes (1 Co 6.19) e Se encontra também na casa professa da cristandade (Ef 2.22). O Senhor Jesus falou disso (Jo 14.16,17), dizendo aos discípulos, antes do dia de Pentecostes, que esperassem por Sua vinda em cujo tempo eles seriam "do alto revestidos de poder" (Lc 24.49). Em Corinto, não foi dito aos crentes que esperassem que viesse "poder" sobre eles, mas, ao invés disso, foi dito que deveriam usar os dons do Espírito, que Deus lhes havia dado, inteligentemente, dirigidos por Sua Palavra e em uma santa liberdade, conforme fossem guiados pelo Espírito (1 Co 12.4-11). Como alguém já disse, "O Espírito e a Palavra não podem ser separados sem que se caia no fanatismo, de um lado, ou no racionalismo, do outro". É perigoso aguardar por um derramamento adicional do Espírito, além daquele que temos, sendo habitados pelo Espírito de Deus. Há dois poderes acima do homem, e estes são o poder de Deus e o poder de Satanás. O movimento carismático leva as pessoas a buscarem por demonstrações de poder que não estão em conformidade com a Palavra de Deus e, portanto, não são pelo Espírito de Deus. Edward Irving, que iniciou esse movimento na Inglaterra no século passado, ensinou algumas coisas chocantes acerca da Pessoa de Cristo, as quais não convém repetir aqui (conforme citado por J. N. Darby em "Collect Writtings", Vol. 15, Pg. 1-51), no entanto aconteceram grandes demonstrações de poder e "línguas" naquela época, pegando em suas redes até mesmo cristãos verdadeiros (cf. "Spirit Manifestations", Sir Robert Anderson, pg. 19,20). Mesmo nos dias de hoje a demonstração desse poder e "línguas" está com freqüência associada a má doutrina acerca da Pessoa e obra do Senhor Jesus Cristo, e a outras práticas não bíblicas, pois Satanás pode tomar a forma tanto de um "anjo de luz" (2 Co 11.13-15) como de um "leão que brama" (1 Pd 5.8,9). Seu grande alvo sempre foi atacar a gloriosa Pessoa e a obra consumada de nosso bendito Senhor e Salvador.

Por esta razão vemos a importância de primeiro testarmos esse movimento carismático moderno pela Palavra de Deus. Não busquemos por "poder", pois se alguém, seja homem ou mulher, é um verdadeiro crente no Senhor Jesus Cristo, tal pessoa é habitada pelo Espírito de Deus, que é o poder para nosso andar como filhos de Deus. Em Lucas 11.13, antes do dia de Pentecostes, o Senhor Jesus disse aos Seus discípulos que pedissem pelo Espírito Santo, pois Ele ainda não havia sido dado (Jo 7.39), mas agora Ele habita nos corpos de todos que creram no evangelho (Ef 1.13). Não há qualquer registro de alguém a quem tenha sido dito que esperasse pelo batismo do Espírito Santo após o dia de Pentecostes. Existe a exortação que diz "enchei-vos do Espírito" (Ef 5.18), que significa que devemos permitir que Ele nos guie em tudo o que fazemos. Ela é dada em contraste com o embriagar-se com vinho, uma vez que alguém assim estaria fora de controle, enquanto que aquele que está cheio com o Espírito encontra-se sob controle, pois dois aspectos do fruto do Espírito são temperança e domínio próprio (Gl 5.22,23 Almeida Versão Atualizada). Onde o Espírito de Deus estiver guiando, aí há liberdade e serviço inteligente.

À medida que andarmos perto do Senhor em dependência e obediência, haverá, pelo poder do Espírito de Deus, o desfrutar de Cristo e de nossa porção nEle, pois o Espírito Santo não fala de Si mesmo, mas nos guia a toda verdade e glorifica a Cristo (Jo 16.13,14; Ef 3.16,21; Cl 1.8-14). Ele também nos capacitará a darmos um verdadeiro testemunho por Cristo perante outros (Fp 2.15,16). Se virmos demonstrações de poder ao nosso redor, seremos mais prontos a verificar se estão de acordo com a Palavra de Deus do que a nos deixarmos levar pelo próprio sinal ou maravilha (Dt 13.1-4).

Ao terminar, gostaria de colocar estas palavras diante do Senhor para que possam ser úteis para auxiliar o povo de Deus a discernir o caminho de fé nestes últimos dias. Regozijamos-nos ao ver Deus operando em graça ao salvar almas, usando Sua preciosa Palavra por quem quer que a pregue (Fp 1.18). Mas Deus quer também que todos os que são Seus "venham ao conhecimento da verdade" (1 Tm 2.4). O caminho de obediência à Sua Palavra é o único caminho seguro e verdadeiramente feliz, e neste caminho, como alguém já disse, "não existem desapontamentos e nem esperanças perdidas". Os caminhos da sabedoria "são caminhos de delícias, e todas as suas veredas, paz" (Pv 3.17). As Escrituras não nos dizem que devemos buscar por um segundo Pentecostes; ao invés disso nos exortam a saber como devemos agir e como devemos nos reunir ao Nome do Senhor Jesus Cristo em obediência, numa época em que a cristandade se tornou uma grande casa, com "vasos para honra, outros, porém, para desonra" (2 Tm 2.16-26). Certa ocasião o Senhor teve que dizer a Pedro, "Para trás de mim, Satanás" (Mt 16.23), mostrando que até mesmo um crente útil e verdadeiro pode ser seduzido e usado pelo inimigo.

Que possamos compreender o que é desfrutar de nossa porção em Cristo agora, pelo Espírito, possuindo, como alguém já disse, corações amplos (para amarmos a todos os verdadeiros filhos de Deus) e pés estreitos (para caminharmos no estreito caminho da obediência à Palavra de Deus), enquanto ansiamos pelo bendito dia em que estaremos com Cristo naquele glorioso Lar nas alturas. Então a igreja será apresentada "igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante" (Ef 5.27). Tudo o que será verdadeiramente levado em conta então será ter a Sua aprovação quanto ao caminho que trilhamos em direção ao Lar, a casa do Pai. - [Gordon H. Hayhoe]


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